

Festival de Prados celebra centenário dos seus fundadores com programação que une tradição e modernidade
09/07/2026
O Festival de Prados chega à sua 47ª edição celebrando um marco histórico: o centenário de nascimento dos seus fundadores, os maestros Adhemar Campos Filho e Olivier Toni. Ao homenageá-los, o festival exalta a sua vocação, e também a de seus mestres – tornar a música de concerto acessível, próxima às pessoas.
Ao longo de 15 dias de programação gratuita (entre 18 de julho e 1º de agosto), praças, coretos, igrejas e auditórios de Prados e região serão palco de concertos, recitais, aulas de música e de muitos encontros entre os 35 músicos convidados e os moradores da região. Toda a programação, incluindo concertos e oficinas musicais, é gratuita e aberta a adultos e crianças. Prados fica próximo a Barbacena, gerando grande movimentação de toda a região.
“O Festival de Prados é mais que uma série de apresentações musicais, é um ambiente de intercâmbio artístico, ensino e desenvolvimento cultural que aproxima músicos, estudantes e comunidade”, ressalta o diretor artístico do festival, o músico José Calixto Cohon.
Segundo ele, homenagear o centenário de nascimento de Adhemar Campos Filho e Olivier Toni é reconhecer a contribuição de dois artistas fundamentais para a cultura brasileira e para a construção da identidade do Festival de Música de Prados – um modelo singular de festival, no qual tradição e inovação convivem de forma harmoniosa.
“Eles criaram um evento anual que permanece vivo há quase cinco décadas e, ainda, idealizaram um projeto de formação, preservação e difusão musical que transformou a cidade de Prados em um importante polo de produção cultural. Ao reunir o patrimônio musical mineiro, a música de concerto, a criação contemporânea e a formação de novos músicos, eles estabeleceram bases que atravessam o tempo”, destaca o diretor artístico.
Programação une barroco a obras modernas
Concebida como uma homenagem ao legado artístico de seus fundadores, a programação contará com obras de Campos Filho e Toni em diferentes formações musicais. “Eles mantinham um profundo compromisso com a composição e as poéticas da invenção musical. Por isso, o festival apresentará repertórios que criam diálogos e contrastes, do barroco mineiro às obras modernas dos dois homenageados; ou o encontro inusitado entre canções antigas e grandes compositores do século XX. Desta forma, honraremos os sonhos fundadores do festival: a pesquisa histórica, a invenção artística e a formação de músicos e público através dos clássicos de todos os tempos e da música contemporânea.”
Entre as composições de Adhemar Campos Filho, destacam-se a execução de Cena Indígena, para orquestra e voz solista, além de composições camerísticas e experimentais para quinteto de sopros e orquestra. De Olivier Toni, serão apresentadas obras como Som sem Sim, para orquestra, além de peças destinadas a formações menores e solistas. Elas serão executadas pelos músicos e orquestras do festival e da Lira Ceciliana, em conjunto com o coro do festival, que é um dos cursos do evento aberto à participação do público.
A influência dos dois mestres também se manifesta na concepção artística da programação. De acordo com José Calixto Cohon, o repertório dialoga com áreas de pesquisa e atuação que marcaram suas trajetórias, abrangendo desde a música antiga e o barroco mineiro e europeu até a produção musical dos séculos XX e XXI.
André Bachur, Michelle Agnes e Quarteto Calêndula entre os destaques
Os concertos sinfônicos realizados nos dois sábados do festival, sob a regência de André Bachur, representam alguns dos momentos centrais da programação. Neles, o público poderá ouvir obras de Olivier Toni, Adhemar Campos Filho, Antonio Vivaldi e Shostakovich.
No encerramento, é de grande destaque o momento de união da orquestra do 47º Festival, a Orquestra da Lira Ceciliana e Coro do 47º Festival que vai realizar a obra Sinfonia Botânica de Michelle Agnes, compositora brasileira radicada na França, que estará presente no festival para recriação de sua obra no contexto pradense, reafirmando o compromisso musical do festival com a música nova.
Os concertos de música de câmara, realizados às quintas-feiras, constituem outro ponto alto da programação, oferecendo ao público uma ampla diversidade de repertórios, formações instrumentais e experiências sonoras. Cabe destacar a presença do Duo Giardini, composto por Luiz Amato (Violino) e Adriana Holtz (Cello). Também é destaque desta edição a participação do quarteto vocal Calêndula, especializado em repertório antigo.
Também merece destaque a parceria com o Festival Cultural de Prados, na primeira sexta-feira do evento, reunindo o Grupo de Música Popular do Festival e artistas convidados, como Mauro Dell’Isola e Raïssa Anastásia, em uma apresentação que amplia o diálogo entre diferentes linguagens musicais.
Tradição e oportunidade de aprendizado
A relação entre o Festival de Prados e a comunidade da região é um dos pilares que sustentam sua existência desde 1977. O evento nasceu a partir do encontro entre a tradição musical local e a contribuição de músicos, professores e estudantes vindos de diferentes regiões do país, especialmente de São Paulo. “Essa troca gerou benefícios mútuos. O festival amplia as oportunidades de acesso à formação musical e à programação artística de qualidade, enquanto a comunidade oferece um ambiente singular de acolhimento. Os concertos gratuitos costumam reunir público expressivo e contam com frequentadores que acompanham o festival há gerações.”
Para Priscila Freitas, gerente de Marketing e Comunicação da Marluvas, patrocinadora do festival, a cultura tem um poder transformador de conectar pessoas, preservar tradições e inspirar novas gerações. “Por isso, temos orgulho de contribuir para a realização de um evento que fortalece a identidade cultural de Prados e amplia oportunidades de aprendizado e desenvolvimento para crianças e jovens. Mais uma vez, reafirmamos nosso compromisso com iniciativas que geram valor para a comunidade e deixam um legado positivo para o futuro. Fazer parte desta história é uma honra e uma inspiração para todos nós.”
A dimensão pedagógica do Festival é também um ponto alto e ela sempre esteve no centro do projeto concebido por Adhemar Campos Filho e Olivier Toni. Desde a primeira edição, o objetivo não era apenas promover apresentações artísticas, mas criar oportunidades de aprendizado e formação musical. “Todos os anos, mais de uma centena de alunos participa de atividades voltadas a diferentes instrumentos e práticas musicais, acompanhados por professores especializados. Ao final do processo, os estudantes têm a oportunidade de compartilhar o resultado de seu aprendizado em apresentações públicas.”
Entre as atividades pedagógicas desta edição, merece destaque a oficina de Teatro Musical, que reúne cerca de 40 crianças em um processo de musicalização que integra canto coral, expressão cênica, criatividade e trabalho coletivo. “A atividade de formação estimula habilidades musicais, a imaginação, a sensibilidade e a convivência em grupo. O resultado desse trabalho poderá ser acompanhado pelo público em uma apresentação especial no segundo sábado do festival, às 16h.”
Além do Teatro Musical, o festival oferece cursos e oficinas gratuitas em diversas áreas instrumentais e práticas de conjunto, como violino, violoncelo, flauta, piano, percussão, violão, sanfona, entre outros, reafirmando seu compromisso histórico com a formação de novos músicos e com a democratização do acesso à educação musical.
A história por trás do Festival
A trajetória do Festival de Prados remonta a 1977, quando Olivier Toni visitava cidades mineiras em busca de partituras coloniais. Ao chegar em Prados, se surpreendeu com a atividade musical da cidade: com pouco mais de 5 mil habitantes, a cidade possuía banda, coro e orquestra, organizados por uma entidade musical, a Lira Ceciliana, então dirigida pelo maestro Adhemar de Campos Filho, natural de Prados.
Segundo o diretor executivo do festival, Eduardo Raele, neto de Toni, eles rapidamente fizeram amizade e combinaram que no ano seguinte, na segunda quinzena de julho, Toni levaria a Prados alguns estudantes do curso de Música da USP, do qual era diretor, para tocarem juntos com os pradenses – relação que tem quase cinco décadas de existência.
Olivier Toni (1926–2017) foi um dos mais relevantes nomes da música erudita brasileira do século XX. Compositor, maestro, educador, fundador do Departamento de Música da USP, da Escola Municipal de Música de São Paulo (EMMSP) e de diversas orquestras em São Paulo, destacou-se pela defesa da música contemporânea, pela valorização da criação artística brasileira e pelo compromisso com a democratização do acesso à cultura. Sua trajetória foi marcada pela criação de instituições formadoras, pela atuação junto a importantes orquestras e pela convicção de que a música de concerto deveria estar acessível a todos.
Adhemar Campos Filho (1926–1997), por sua vez, foi uma figura central da vida musical pradense e um dos principais responsáveis pela preservação da tradição das bandas de música de Minas Gerais. Regente da histórica Lira Ceciliana e profundo conhecedor do patrimônio musical da região, compreendeu a importância de valorizar a cultura local ao mesmo tempo em que promovia o diálogo com outras linguagens e tradições musicais.
PROGRAMAÇÃO 47º FESTIVAL DE MÚSICA DE PRADOS
Sábado 18/07 – Igreja Matriz N. Sra. da Conceição
20h30 – Concerto de Abertura do Festival com a Orquestra e Coral da Lira Ceciliana
Terça 21/07 – Casa da Música Lira Ceciliana
20h Recital Comentado com grupo da UFSJ
Quarta 22/07 – Casa da Música Lira Ceciliana
20h – Palestra sobre o centenário de Adhemar e Toni com a Prof. Dra. Flavia Camargo Toni, do IEB-USP
Quinta Feira 23/07 – Lira Ceciliana
20h – Recital de Música de Câmara com os músicos do Festival
Sexta 24/07 – Praça Dr. Viviano Caldas
18h – Integração com o Festival Cultural – Música na Praça com Raïssa Anastásia, Mauro Dell’Isola e o Grupo Popular do Festival
Sábado 25/07 – Lira Ceciliana e Igreja Matriz N. Sra. da Conceição
16h Apresentação do Coral na Lira Ceciliana
20h30 – Concerto da Orquestra do Festival na Igreja Matriz de Prados
Domingo 26/07 – Praça Dr. Viviano caldas
11h Retreta da banda da Lira Ceciliana
Segunda Feira 27/07 – Capela de N. Sra do Rosário de Cel. Xavier Chaves
20h30 – Concerto de Música de Câmara
Terça Feira 28/07 – Igreja Matriz de Dores de Campos
20h30 – Apresentação da Orquestra na Igreja Matriz de Dores de Campos
Quarta Feira 29/07 Igreja Matriz de Santo Antonio em Tiradentes
20h30 – Apresentação da Orquestra do Festival
Quinta Feira – 30/07 – Lira Ceciliana
20h30 – Apresentação Música de Câmara
Sexta Feira 31/08 – Lira Ceciliana
20h – Apresentação do Alunos do Festival
Sábado 01/08 – Igreja Matriz N. Sra. da Conceição
16h Apresentação Teatro Musical na Sede do Gato Preto
20h30 Concerto de Encerramento – Orquestra do Festival + Orquestra da Lira – Coro do Festival



