

Sinal de Frank: O que a “dobrinha” na orelha realmente diz sobre a saúde do seu coração?
Especialista esclarece que a marca não causa doenças cardíacas isoladamente e explica por que a gordura abdominal ainda é um sinal de alerta muito mais grave do que a "dobrinha"
A recente morte repentina do influenciador Henrique Maderite por infarto gerou uma onda de preocupação nas redes sociais. O motivo? Internautas notaram uma linha diagonal no lóbulo da orelha do influenciador, uma marca conhecida na medicina como Sinal de Frank. O detalhe rapidamente viralizou como um suposto “aviso definitivo” de doença coronariana, causando pânico em quem também possui o vinco.
Para separar o mito da realidade clínica, a reportagem ouviu o Dr. Geancarlo Rabelo, médico cardiologista do Hospital Ibiapaba CEBAMS, em Barbacena, que esclareceu o real peso dessa marca na saúde cardiovascular.
O que é o Sinal de Frank?

Descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico americano Sanders T. Frank, o sinal é caracterizado por um traço diagonal que atravessa o lóbulo da orelha, podendo aparecer de um lado só ou em ambas as orelhas. Segundo o Dr. Geancarlo, a marca ganha maior significado clínico quando é mais profunda, bilateral e, principalmente, quando vem acompanhada de uma prega anterotragal (um vinco na região anterior entre a face e a orelha).
Causa ou apenas um alerta?
O ponto mais importante destacado pelo cardiologista é a diferença entre um fator de risco causal e um marcador de risco.
O Sinal de Frank não causa infarto por si só. Ele é apenas um marcador, um alerta visual. “Se eu tenho o Sinal de Frank isolado, ou seja, o paciente tem apenas a marca e não tem nenhum fator de risco (não é obeso, não é diabético, não é sedentário), os estudos de 2021 para cá mostraram não haver nenhuma correlação”, tranquiliza o médico. Ele só possui valor estatístico se estiver associado aos verdadeiros vilões do coração.
Os verdadeiros vilões: Os Fatores de Risco
O Dr. Geancarlo enfatiza que a cardiologia já tem muito bem definidos quais são os fatores que comprovadamente causam doenças cardíacas. Eles se dividem em dois grupos:
Fatores Modificáveis (Aqueles que você pode controlar):
- Hipertensão (Pressão alta)
- Diabetes
- Dislipidemia (Colesterol alto)
- Tabagismo
- Obesidade abdominal (A famosa “gordura na barriga”)
- Sedentarismo
Fatores Não Modificáveis:
- Idade
- Histórico Familiar: Ter um parente de 1º grau que infartou antes dos 55 anos aumenta em 10 vezes a chance de infarto. Se foi antes dos 65 anos, a chance é de 5 a 7 vezes maior.
“A gordura abdominal, que é o homem barrigudo, é um fator de risco exponencialmente mais importante de ser observado do que a orelha. É muito mais importante olhar a barriga do paciente do que a orelha do paciente”, alerta o cardiologista.
Quando a marca na orelha é normal?
O médico também faz um adendo sobre a idade. Após os 60 anos, o vinco na orelha faz parte do processo natural de envelhecimento da pele e perde seu valor como marcador de risco cardíaco. O Sinal de Frank chama mais a atenção de médicos quando aparece em pacientes mais jovens (abaixo de 60 anos) e com a presença dos fatores de risco citados acima.
Prevenção é o melhor caminho
Lidando com infartos diariamente, o Dr. Geancarlo relata que a grande maioria dos pacientes que infartam em seu consultório não possui o Sinal de Frank. Portanto, não ter a marca não é passe livre para descuidar da saúde, e tê-la não é uma sentença.
A recomendação oficial é clara: * Homens a partir dos 45 anos e Mulheres a partir dos 55 anos devem fazer um check-up cardiológico rigoroso a cada 2 anos, independentemente de terem ou não a marca na orelha.
- Cuidar do estilo de vida, manter exames em dia e controlar o peso continuam sendo as únicas formas reais de manter o coração batendo forte.



