• UFJF pede desculpas por ter recebido cadáveres de hospital psiquiátrico de Barbacena

    18/05/2026
    Foto: Caíque Cahon/UFJF

    A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi mais uma Universidade a pedir desculpas por ter recebido cadáveres do Hospital Colônia em Barbacena. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi a primeira a fazer o pedido de desculpas em abril deste ano. De acordo com a Universidade, movimentos sociais mineiros da Luta Antimanicomial têm solicitado medidas de reparação histórica a pelo menos 15 instituições de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo que receberam cadáveres de pacientes internados no Hospital Colônia, em Barbacena (MG), para fins de ensino e pesquisa. Entre as reivindicações estão pedidos formais de desculpas e o compromisso com ações educativas sobre o tema. A iniciativa integra uma frente de promoção de justiça histórica diante dos danos causados pela hospitalização psiquiátrica desumana ocorrida no município mineiro ao longo do século XX e de seus desdobramentos sociais.

    A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi uma das instituições que utilizaram cadáveres para estudos de anatomia em cursos da área da saúde, entre os anos 1960 e 1980. Nesta segunda-feira, 18, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, a UFJF publica uma carta em que pede desculpas à sociedade e assume o compromisso de realizar ações de reparação simbólica, além de fortalecer as iniciativas já existentes.

    Entre as medidas previstas estão a realização de campanhas de conscientização e de eventos sobre direitos humanos e saúde mental; a busca de apoio para a criação de um memorial sobre o tema; a condução de pesquisas sobre os registros das relações entre a UFJF e o Hospital Colônia de Barbacena; e a ampliação, nos cursos da área da saúde, de conteúdos relacionados à violação histórica de direitos humanos, à saúde mental e ao uso de corpos oriundos do hospital mineiro e de instituições semelhantes.

    Confira a carta na íntegra

    Ao tomar conhecimento da iniciativa junto às universidades, após a publicação de uma carta pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — a primeira instituição a se manifestar, em abril —, a própria UFJF iniciou uma pesquisa interna  que motivou o contato com a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal (MPF). O órgão tem atuado como ponte entre as universidades e os três movimentos sociais que lideram a iniciativa: o Fórum Mineiro de Saúde Mental, a Frente Mineira Drogas e Direitos Humanos e a Associação de Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais (Asussam).

    A carta da UFJF, assinada pela reitora Girlene Alves e pelo vice-reitor Telmo Ronzani, relembra a segregação e a discriminação sofridas por milhares de pessoas no campo da saúde mental ao longo de décadas no Brasil. O texto aponta a associação indevida entre incapacidade e periculosidade atribuída a pessoas estigmatizadas pelo que se convencionou chamar de “loucura”, o que contribuiu para práticas de exclusão e tratamentos indignos.

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