• Dia de campo reúne produtores de cachaça em Alto Rio Doce

    15/09/2026

    O 2º Dia de Campo – Da Cana ao Destilado reuniu cerca de 100 pessoas na Cachaça Tia Maria, distrito de Abreus, em Alto Rio Doce, no sábado (12/9). O evento é uma parceria entre o Sistema Faemg Senar, o Sindicato Rural de Barbacena e o Sicoob Credivertentes, e contou com a participação de diversos parceiros da cadeia produtiva da cachaça, como fabricantes de alambiques, tonéis, representantes de equipamentos e insumos.

    “Fazemos a tecnologia chegar até o campo para auxílio do produtor rural, que enfrenta hoje dificuldade com a mão-de-obra”, disse o gerente do Escritório Regional de Juiz de Fora, Emerson Simão. Para a gerente da agência do Sicoob Credivertentes em Alto Rio Doce, esses encontros são fundamentais para levar informação aos produtores. “Mostramos que quanto mais eles conseguirem modernizar seus alambiques, mais vão agregar valor ao produto e, consequentemente, se tornarem grandes produtores”, afirma Olívia.

    Da cana ao destilado

    A primeira apresentação foi do professor e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Luis Cláudio da Silveira, membro da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético (Ridesa), que falou sobre o “Manejo da Cultura da Cana-de-Açúcar em Soqueira”.

    A palestra seguinte apresentou uma técnica diferente para o envelhecimento da cachaça com a utilização de fragmentos de madeira. O instrutor do Senar Minas Arnaldo Ribeiro apresentou o tema “Floresta tanoeira e acondicionamento da cachaça: estratégias para um envelhecimento de qualidade” em que explicou como funciona o acondicionamento, técnica legalizada no final de 2022 que permite que os produtores usem pedaços de árvores no interior dos tonéis – que podem ser de inox ou de madeira – para obter um resultado sensorial com menor tempo de armazenamento, o que reduz o custo e aumenta o retorno financeiro. Além disso, a técnica de acondicionamento também é ambientalmente mais sustentável. “No Brasil, praticamente todas as madeiras utilizadas na fabricação de tonéis são de extrativismo. E quando acabar o jequitibá, o amendoim que já está em processo de extinção?”, questiona o instrutor e completa: “Se o produtor plantar suas próprias árvores, em três anos ele já pode retirar fragmentos, que são os galhos, fazer o acondicionamento com a técnica correta, ter resultado e potencializar os tonéis dele”, explica.

    Encerrando a manhã de palestras, o fiscal agropecuário químico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Flávio Alves Santos, falou sobre “Terceirização do envase: Oportunidades para produtores registrados como atacadistas”. A RM, uma das empresas parceiras, fez, ainda, a demonstração da colheita mecanizada, o que chamou bastante atenção dos visitantes.

    Para o produtor de cachaça de Rio Espera, Vagner Vicente, o Dia de Campo foi de grande valia, pois englobou todos os ramos da cadeia produtiva, desde as mudas até o envase. “É uma oportunidade de sair da nossa rotina para buscar inovação e levar para o campo. E eu fiquei também muito feliz de encontrar as pessoas que constroem esse meio junto com a gente”, disse o produtor.

    A anfitriã, Maria Augusta Ribeiro, conhecida por todos como Tia Maria, também ficou feliz em receber os colegas produtores e amigos para essa troca de experiências. “Foi uma aula para mim”, disse a empresária que já produz cachaça há 20 anos e diz que sempre que pode, vai atrás de informação com os colegas ou com o técnico do Senar. Mas admite: “Cada produtor tem o seu segredo, a gente não conta nem para o marido”.

    Valorização da cachaça da Bacia do Rio Piranga

    O 2º Dia de Campo – Da Cana ao Destilado também levou uma boa notícia aos produtores da região. O presidente da Associação Nacional de Cachaça de Alambique (Ampaq), Sérgio Maciel, e o técnico de campo do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, Luiz Augusto Monteiro, recém-empossado como presidente da Associação dos Produtores da Cachaça do Vale do Piranga (Germinas) anunciaram o pedido de reconhecimento da região com indicação geográfica para a produção de cachaça. A Bacia do Rio Piranga engloba 57 municípios produtores e tem 170 alambiques registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a maior quantidade do Brasil.

    Para Sérgio Maciel, essa é uma importante iniciativa no intuito de promover e valorizar o produto regional no país e no exterior. “Hoje, Minas tem apenas uma indicação geográfica para a produção de cachaça que é Salinas. Com este reconhecimento, vamos buscar o mercado externo com um produto premium”.

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