Banner Aprendiz 18/032019

Revivendo a Via Crucis

Estamos nos aproximando de um momento especial. Sobretudo para a comunidade católica. O que não impede que seus reflexos se espalhem por outros núcleos religiosos que, apesar da diversidade de enfoques, mantêm esta mesma essência: o amor maior.

O próximo domingo é o marco inicial da Semana Santa, durante a qual se celebrará a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Nele se revive a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, passando pelo chão recoberto de ramos verdes. Daí o nome de Domingo de Ramos. Toda esta aclamação que lhe é dedicada faz gerar entre os sacerdotes, mestres da lei e figuras proeminentes da época, sentimentos de inveja, desconfiança e medo de perda de poder. Com isto, começa a trajetória que o leva à condenação a morte. Os episódios desta caminhada serão revividos durante os dias subsequentes até a celebração de sua ressurreição, no Domingo de Páscoa.

Por influência familiar, ainda na infância, participava de alguns ritos da Semana Santa. Explicações me eram dadas e eu as ouvia, às vezes, com muita curiosidade. Outras, nem tanto. Mas, o suficiente para guardar certas passagens na memória. Já quase adulta, as lições paternas diziam que não bastava conhecer a história. Seria preciso entendê-la e dela tirar lições que poderiam permitir uma vida melhor para a humanidade. Hoje, mais do que antes, penso ser esta uma grande experiência, perfeitamente aplicável à modernidade, nos oferecendo condições para mudar nosso olhar sobre este mundo tão fragilizado.

É desta forma que me recordo da subida ao Calvário. Minha imaginação fazia o mesmo trajeto. Muita dor!!! Muito medo!!! Um ponto final cruel para uma curta existência de trinta e três anos!!! Sei que me ficaram fortes impressões desta cena. Entre outras, a marcante presença de duas mulheres. Talvez por terem sido a representação de sentimentos autênticos expostos em situações diferenciadas, mas com inegável dimensão de alma.

Uma seria Verônica. Na memória, admirava sua coragem, vencendo a multidão, a fim de se colocar frente a frente com Jesus! Ele havia lhe curado de grave enfermidade e, em sinal de sua profunda gratidão aliada ao sofrimento que presenciava, uma doce canção brotou de sua voz entrecortada pela emoção.  Em seguida, enxugou-lhe o rosto com um lenço branco. E deste gesto amoroso, o Santo Sudário se eternizou.

A outra, só poderia ser Maria, a Mãe. O ápice de um afeto incondicional. Símbolo da resistência diante de feridas que rasgam o coração! Protótipo do mistério materno capaz de transformar poucos segundos de silêncio em um visível e eloquente manancial de amor!

Esta caminhada chega ao fim. Do alto daquela cruz, tudo se consumou… Ambas viveram suas próprias tragédias… Cada uma a seu modo… São a razão pela qual sempre me emociono com a procissão do enterro, na Sexta-feira… nela a simbólica pausa em cada paço…  a voz de Verônica cortando o silêncio da noite, tendo por perto a contida e dolorosa serenidade de Maria…            

E o último episódio se torna inesquecível! Surpreendente! Polêmico! Três dias depois de sepultado, Jesus despe-se de sua condição humana e causa perplexidade a todos com sua Ressurreição. Uma nova dimensão… Uma nova fonte de transcendência… Um novo sentido de perenidade…  Improvável para uns, possível para outros. Na verdade, um tempo de fé porque só este sentimento poderá nos conduzir ao conhecimento e entendimento da ação do ressuscitar de Jesus. Uma coisa, no entanto, é indiscutível.  É tempo de nova caminhada espiritual que nos conduzirá às transformações. É tempo de atender aos apelos que o mundo moderno tem buscado com afinco. Existe no ar um desejo de maior espiritualidade. Um desejo de mudanças efetivas, operadas em um terreno mais fértil, capaz de formar consciências lúcidas a respeito do papel do homem em seu habitat global.  Tempo de reinicio! Tempo de renascimento para uma nova vida! Tempo de Páscoa!

A todos, uma Feliz Páscoa!!!

Por: Áurea Vasconcelos Grossi

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