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Polícia Civil confirma: mãe não tem nada a ver com o desvio do dinheiro do tratamento de João Miguel

De acordo com a corporação, foi ela quem informou o comportamento estranho do marido e, posteriormente, seu sumiço

 

Mateus Henrique Leroy Alves, pai de João Miguel Avelino Leroy Alves.

 

 

Foi preso ontem (22/07), Mateus Henrique Leroy Alves, pai de João Miguel Avelino Leroy Alves. O homem é acusado de fugir com mais de R$ 1 milhão arrecadados em campanha de ação social para o tratamento do filho, portador de Atrofia Muscular Espinhal (AME) – uma doença genética que atinge a coluna vertebral.

Mateus Leroy foi preso em Salvador (BA), onde estaria gastando o dinheiro arrecadado na campanha. Ele desembarcou no aeroporto da Pampulha, ontem a noite, em Belo Horizonte, algemado e escoltado por policiais civis. Foi a mãe de João Miguel quem acionou a polícia e relatou o sumiço do marido.

O fato do sumiço de Mateus e do dinheiro da campanha causou profundo pesar na mãe de João Miguel que ficou incrédula e, inicialmente, não acreditou no que o próprio companheiro fez com parte do dinheiro arrecadado para o tratamento do filho.

De acordo com o delegado de Polícia Civil em Belo Horizonte – Daniel Gomes -, responsável pela investigação, a mãe de João Miguel foi quem procurou ao polícia relatou o sumiço de Mateus. “Fomos procurados pela mãe de João Miguel. Ela passou a notar um comportamento diferente do marido, que começou a se afastar da família. Começou a não mais se empenhar nas campanhas e há mais de um mês, estava sumido de casa, alegando que estava em Belo Horizonte. No entanto, a mãe de João Miguel não tinha nenhuma notícia concreta do marido”, afirmou.

“Sugerimos a ela que verificasse as contas bancárias e apresentasse os extratos para a Polícia Civil fazer uma análise. Para a surpresa de todos, essas contas estavam, praticamente limpas, sendo que a família havia conseguido arrecadar mais de R$ 1 milhão na campanha, que sensibilizou e envolveu moradores de Conselheiro Lafaiete e região. Também ganhou apoio de artistas e jogadores do Atlético Mineiro também apoiaram a causa. E, para surpresa de todos, o pai de João Miguel sumiu com o dinheiro. Ele fez várias transferências das contas da campanha, para sua conta pessoal.”.

Segundo a Polícia Civil, Mateus foi preso em um apart hotel de luxo, em Salvador (BA), bem em frente à praia, já havia pagado dois meses adiantados e desde o início deste mês levava uma vida de luxo e ostentação gastando dinheiro que deveria ser usado no tratamento do filho.

Ainda de acordo com a Polícia Civil de Belo Horizonte, o suspeito também fez compras. Com ele, várias malas foram apreendidas, relógios de ouro, cordões e pulseiras, R$ 3 mil e porções de maconha.

Para a Polícia Civil, Mateus disse que estava sendo extorquido e fugiu porque estava com medo. “Tentei falar com pessoas, mas não consegui. Fugi por medo e burrice. Eu sumi não foi desde o início não, foi agora, na hora que eu vi que a bola de neve estava aumentando”, afirmou Mateus.

O delegado Daniel Gomes não acredita na versão do pai de João Miguel. “Ele já trabalhou em uma comunidade terapêutica como monitor. Mas, desde que começou a campanha para arrecadar fundos para o tratamento do filho, Mateus passou a receber um benefício do governo. Esta alegação dele não condiz com suas ações e os dados técnicos da investigação da Polícia Civil. Desde abril ele vem realizando saques das contas de João Miguel”, confirmou o delegado.

Segundo a Polícia Civil, Mateus foi preso, preventivamente, pelos crimes de estelionato, abandono material da família e, até mesmo, lavagem de dinheiro. Ele realizou cerca de R$ 600 mil em saques e o saldo residual continuará ajudando no tratamento de João Miguel.

Delegado de Polícia Civil em Belo Horizonte – Daniel Gomes.

 

 

João Miguel

A causa de João Miguel mobilizou várias pessoas em Conselheiro Lafaiete, Barbacena e toda região.  Até mesmo a Polícia Civil de Conselheiro Lafaiete organizou uma corrida e todos os valores arrecadados foram direcionados para o tratamento do menino.

João Miguel tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença genética que atinge a coluna vertebral, muito rara. O tratamento é longo e caro. Cada dose do medicamento que ele precisa custa cerca de R$ 370 mil.

A campanha, que foi feita em várias plataformas digitais e eventos sociais, conseguiu arrecadar mais de R$ 1 milhão. Quem ajudou mostra indignação nas redes sociais.

“Como vamos explicar isso para as pessoas que ajudaram. Fico perplexa com isso. Como um pai pode fazer esta atrocidade com o próprio filho?”, afirmou uma pessoa que não quis se identificar.

#Somostodosjoãomiguel

A campanha continua e a Polícia Civil pede que as pessoas ajudem. “A mãe de João Miguel não tem nada a ver com o desvio do dinheiro. Ela esteve o tempo inteiro de boa fé. Pelo contrário, foi ela quem alertou à Polícia Civil quanto ao sumiço do companheiro. O menino ainda precisa, muito, da ajuda de todos, para realizar seu tratamento”, orientou o delegado Daniel Gomes.

AME

A AME é uma doença genética que interfere na capacidade do corpo de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores. Sem ela, os neurônios morrem e os pacientes vão perdendo o controle e força musculares, ficando incapacitados de se moverem, engolirem ou mesmo respirarem, podendo, inclusive, morrer. A doença é degenerativa e não possui cura.

Em abril deste ano, o Ministério Saúde começou a ofertar no SUS o medicamento Nusinersen (Spinraza) para pessoas que vivem com AME, tipo I, o mais presente no país. O insumo é o único no mundo recomendado para o tratamento de AME.

O tratamento consiste na administração de seis frascos com cinco ml no primeiro ano e, a partir do segundo ano, passam a ser três frascos. A medida teve como base diversos estudos que apontam a eficácia do medicamento na interrupção da evolução da AME para quadros mais graves e que são prevalentes na maioria dos pacientes. Cada dose do medicamento pode custar mais de R$ 370 mil.

 

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