• Nefrologista André Pimentel alerta para ‘silêncio’ da doença renal em entrevista ao FBCast

    11/03/2026

    O nefrologista André Pimentel participou do FBCast, o podcast da Folha de Barbacena, na última segunda-feira (9), em alusão ao dia do rim, comemorado em 12/03. O médico explicou que a desinformação e o caráter assintomático das patologias renais continuam sendo os maiores obstáculos para o diagnóstico precoce no Brasil. Segundo o médico, o rim é um órgão “generoso e silencioso”, que muitas vezes só manifesta sinais clínicos quando cerca de 70% de sua função já está comprometida, o que eleva a importância de exames simples de rastreio, como a dosagem de creatinina e o exame de urina.

    Durante a conversa com os apresentadores Iuri Fontora e Junior Milagres, Dr. André Pimentel destacou que a hipertensão arterial e o diabetes mellitus são os principais vetores da doença renal crônica no país, respondendo por aproximadamente 60% das ocorrências. “O rim não dói. Ele só chama a atenção quando há um cálculo ou uma infecção. Fora isso, ele para de funcionar sem alarde”, alertou o especialista, que reforçou a necessidade de monitoramento anual para pacientes acima dos 40 anos ou com histórico familiar.

    Suplementação e Estilo de Vida
    O médico também abordou temas contemporâneos que ganharam as redes sociais, como o uso de suplementos por praticantes de atividades físicas. Pimentel falou sobre o uso da creatina, afirmando que, embora segura para indivíduos saudáveis, sua eficácia é otimizada no pós-treino para a recomposição das fibras, e não necessariamente como pré-treino, como popularizado.

    Sobre o uso de whey protein, o nefrologista fez uma ressalva quanto à qualidade dos produtos e à hidratação. “A proteína isolada exige uma manufatura cara. Não existe [de qualidade] whey barato. O excesso de proteína sem a contrapartida de água pode precipitar o aumento de ácido úrico e a formação de cálculos”.

    Liderança em Transplantes e Sustentabilidade
    Um dos pontos altos da entrevista foi a exaltação do Sistema Único de Saúde (SUS) na gestão de alta complexidade. Pimentel lembrou que o Brasil detém hoje o título de maior transplantador de rins do mundo em números absolutos, com a Escola Paulista de Medicina liderando o ranking global de centros transplantadores.

    Além do aspecto clínico, o médico, que integra comitês de políticas públicas, trouxe à tona o impacto ambiental do tratamento: uma única sessão de hemodiálise pode consumir o equivalente a centenas de litros de água ultra-pura, que hoje são majoritariamente descartados. “Precisamos discutir a sustentabilidade na diálise. Essa água, embora não seja potável, poderia ser reutilizada em limpeza urbana e irrigação, reduzindo o impacto ambiental do setor”, defendeu.

    Ao final, Pimentel reforçou que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente e barata. “O paciente precisa ser o centro do cuidado, mas ele também precisa se comprometer. Beber água e controlar a pressão são medidas que retardam em décadas a necessidade de uma terapia substitutiva”, concluiu.

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