• Mulher de Destaque: Entrevista com fundadora do projeto Ágape, Wanessa Santarosa

    Wanessa Santarosa tem apenas 21 anos e é estudante de Direito e também fundadora e presidente do Projeto Ágape

    Mulher de Destaque: Aquela que se sobressai, que inspira e influencia as pessoas a serem melhores através de suas colocações, ações e empoderamento, sempre com toda a elegância e a beleza que ela carrega em seu ser. O Mulher Feita apresenta hoje Wanessa Santarosa: com apenas 21 anos, ela é estudante de Direito das Faculdades Integradas Vianna Júnior (FIVJ) e também fundadora do Projeto Ágape. O mesmo é um projeto assistencial e sem fins lucrativos que desenvolve ações com o intuito ajudar pessoas necessitadas em Barbacena.

    Confira a entrevista completa com a nossa Mulher de Destaque da semana:

    Primeiro de tudo, quem é Wanessa Santarosa?

    Wanessa: Todos nós somos seres mutáveis, as próprias experiências de vida que vamos tendo vão criando novas fontes de significado. Se você me perguntasse quem é Wanessa Santarosa a anos atrás, eu possivelmente responderia que era uma menina que tinha como objetivo de vida cursar medicina, mas hoje com certeza, a minha resposta seria diferente.. Como bem disse Mário Sérgio Cortella “só o fato de eu ter partilhado, compartilhado, vivenciado, convivido com as pessoas, experimentado coisas, já fez com que eu mudasse”. Hoje, aos 21 anos, estudante de Direito, fundadora e presidente de um projeto social em Barbacena, eu responderia que a “Wanessa Santarosa”, não é ninguém além de uma pessoa que disse SIM para o seu chamado. Cresci vendo minha mãe a avó se esforçarem para ajudar as pessoas, então sempre tive referência de amor ao próximo, mas se anos atrás alguém me dissesse que eu fundaria o Ágape e ele se tornaria o que se tornou, provavelmente eu não acreditaria. Tudo mudou quando eu entendi e aceitei o que Deus tinha pra minha vida! Então, hoje, a Wanessa Santarosa é apenas alguém que se orgulha das suas cicatrizes (porque também foram responsáveis por me tornar quem me tornei) e que não se esquece que foram as cicatrizes de Jesus que me fizeram estar aqui. Ele se sacrificou por mim, então, o mínimo que eu posso fazer é seguir Seu mandamento e “amar o meu projeto assim como a mim mesmo”. Benjamin Disraeli disse que “a vida é muito curta para ser pequena”, então a Wanessa Santarosa de hoje é apenas alguém que entende que a vida é curta demais para que eu a apequene. O Projeto Ágape me ensinou que não precisamos fazer grandes coisas, fomos chamados para fazer coisas pequenas com grande amor. E é isso que é a Wanessa Santarosa: hoje eu sou reflexo de tudo que o Ágape me ensinou.

    Aos 21 anos você é fundadora e presidente de um projeto assistencial que desenvolve diversas ações em Barbacena. Como você concilia a sua vida acadêmica com tudo que o projeto exige?

    Wanessa: Definindo minhas prioridades. Bruce Lee falava que “a excelência não é sobre fazer mais, mas sim sobre reduzir o que não é essencial”. Hoje, na minha vida, minhas prioridades são meus estudos e o Ágape. Ambos requererem tempo, atenção, dedicação e, principalmente, renúncia. Por vezes “tenho” que deixar de fazer algo que gostaria mas que, no momento, não é minha prioridade e prejudicaria aquilo que é. Isso não significa que eu abro mão de tudo e só vivo 100% focada no Ágape e nos estudos, mas que, por vezes, vou ter que saber selecionar o que me convém no momento. Tem momentos que são mais difíceis, o cansaço bate com força, a vontade de “jogar tudo para o alto” dá as caras também, e são nesses momentos que aprendi a ter disciplina, porque diferente da motivação, ela tem que ser constante. Eu penso muito que minhas escolhas devem estar de acordo com a vida que eu quero criar, e já que meus objetivos de vida são passar no concurso público e expandir o Ágape (sonho com o dia em que seremos uma associação e que alcançaremos pessoas não só em Barbacena), tento priorizar escolhas que se alinhem a isso.

    Quais serão as próximas ações que vocês estão planejando?

    Wanessa: No domingo, dia 12, fizemos uma ação referente ao Setembro Amarelo: mês de  conscientização e prevenção ao suicídio. Por se tratar de um assunto extremamente delicado, contamos com a participação do Marcelo, o Doutor Falador, para passar uma mensagem para crianças moradoras de lares de acolhimento. Um dos motivos que nos levou a desenvolver essa ação – além da óbvia importância dela -, foi o fato das pesquisas apontarem que o aumento da tendência de suicídio no Brasil entre adolescentes e jovens de 10 a 19 anos. De acordo com uma das pesquisas realizadas, um dos motivos para esse índice crescer nessa faixa etária foi a falta de expectativa no futuro e, por isso, escolhemos as casas de acolhimento para realizar essa ação. A equipe de profissionais dos lares são excepcionais quanto ao cuidado com cada uma das crianças ali, mas nunca é demais uma demonstração de quanto eles são especiais. Por isso, produzimos uma latinha personalizada com um lembrete de que a vida deles vale ouro e, dentro da latinha, colocamos dois bombons Ouro Branco. Foi uma dinâmica simples, principalmente comparado a importância dessa campanha, mas foi feita com muito amor e verdade: cada uma das crianças são muito importantes para nós, realmente criamos um vínculo afetivo muito forte com eles.

    No mês de Outubro teremos duas ações super especiais: a comemoração de três anos do Projeto Ágape e o Dia das Crianças. O Ágape completa três anos da sua primeira ação social no dia 10 e por isso, no dia 8, realizaremos uma ação na mesma creche que nos acolheu na nossa primeira ação, em 2018. Respeitará, claro, todos os protocolos de segurança e terá um tema muito especial e significativo: Arca de Noé. É uma historia que nos remete que, mesmo com as tempestades (no caso, adversidades da vida), no final, sempre há uma promessa e eu creio que o Projeto Ágape é sinal de promessa, por isso estamos de pé até hoje e agregando pessoas especiais para espalharem nosso amor ágape conosco.

    A ação de dia das crianças será no dia 12, na Chapada do Faria. Para essa ação vamos precisar da colaboração que quem confia em nosso trabalho. Divulgaremos através das nossas redes sociais os itens que vamos precisar arrecadar para a realização da ação.

    Além das campanhas de arrecadação, vocês realizaram uma de conscientização em prol do Agosto Lilás. Como são decididas as campanhas que vocês vão realizar?

    Wanessa: Nós seguimos um calendário anual onde já ficam marcadas as ações mais “clássicas”: Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Natal etc… As demais, nós vamos adequando de acordo com as ideias que vamos tendo e também com as necessidades dos lugares que atendemos. Esse ano, por exemplo, nós tomamos conhecimento do “Agosto Lilás” e sentimos a necessidade de promover essa campanha de conscientização. Eu, particularmente, acho que é essa é uma campanha que não tem a visibilidade que merece e, principalmente, que precisa. Durante a pandemia a violência contra a mulher aumentou absurdamente e nossa intenção foi mostrar para essa mulheres que elas não estão sozinhas, que a voz delas tem valor! Além disso, também tivemos como objetivo, ao promover essa conscientização, incentivar as pessoas que presenciam ou tomam conhecimento de algum tipo de violência contra a mulher, que denunciem e deem apoio à vítima. Quando nós, sociedade, quebrarmos o entendimento de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, acredito que os casos de violência doméstica são reduzidos.


    Com a pandemia da COVID, vocês sentiram uma queda nas doações? Se sim, como vocês lidaram com isso, considerando que as demandas de pessoas passando por necessidade aumentaram?

    Wanessa: Na verdade, não. As demandas realmente aumentaram muito. Muitas pessoas perderam seus empregos e outras, por mais que tenham conseguido se manter empregadas, não estavam tendo condições de acompanhar a alta do valor das coisas. Como muitas pessoas têm dito: o preço de tudo aumentou, e o salário do brasileiro permaneceu o mesmo, né? Por isso, também, muitas pessoas que ajudavam instituições, tiveram que cortar ou reduzir essa ajuda. Assim, até dentro das instituições a demanda aumentou. Por outro lado, acredito que a pandemia despertou e aflorou a empatia em muitas pessoas, por isso, conseguimos, com a ajuda dos voluntários e a doação dos barbacenenses, suprir as demandas que tivemos.

    Qual o sentimento de poder estar finalmente voltando a fazer as ações de forma presencial? 

    Wanessa: É uma sensação tão maravilhosa que é até difícil colocar em palavras. Muito além de suprir as necessidades materiais de quem ajudamos, temos como objetivo espalhar nosso “amor ágape” e, através das ações presenciais, essa troca entre nós, voluntários do Projeto Ágape, com os assistidos, é possível. Mas, diferente do que muita gente pensa, as nossas ações (principalmente as presenciais), refletem muito mais em nós, voluntários, do que nas pessoas que “ajudamos”. Aquilo que aparentemente essas pessoas não teriam, é o que elas mais nos oferecem. Se olharmos as circunstâncias, não seria possível serem tão felizes e carinhosas. Aparentemente, quem não tem nada a oferecer são quem mais nos impactam e ensinam. O filme “Somos todos iguais” têm uma frase que descreve bem isso: “Precisamos entender que a única coisa que é nossa para sempre é aquilo que doamos e que quanto mais doamos, mais recebemos”.

    As redes sociais do projeto contam com quase 4 mil seguidores no momento e vocês se mostram muito ativos. Os seguidores de vocês colaboram muito nas ações?

    Wanessa: Sim, eles são essenciais para que o Projeto Ágape possa realizaremos ações e suprir as demandas que as instituições/famílias que atendemos, necessita. Em relação aos seguidores, para nós não se trata de vaidade de  “número de seguidores” mas sim de necessidade: quanto mais pessoas conhecem o Ágape, maior a chance de suprirmos nossas demandas e alcançarmos mais pessoas, inclusive voluntários para se agregarem a nossa família ágape. Por isso, tentamos ser muito ativos nas redes sociais e sempre muito transparente com tudo que fazemos.

    Qual o maior desafio de estar à frente do Projeto Agape?

    Wanessa: Para mim, o principal desafio é de caráter emocional. A gente tem que aprender que, ainda que nos esforcemos, tem coisas que não estão ao nosso alcance. É difícil ver alguém em um estado de vulnerabilidade e não poder mudar, completamente, essa situação. “Tem muitas coisas erradas nesse mundo, muitas que não entendo. E coisas ruins acontecendo com pessoas boas” [Frase do filme “Somos Todos Iguais”].


    Por ser uma mulher mais nova a frente de um projeto grande, você já se sentiu descredibilizada?

    Wanessa: Sim, logo no início do projeto. Tinha acabado de completar 18 anos e marquei uma reunião com uma empresa para tratar de uma possível “parceria” com o Projeto. Durante a reunião, uma das pessoas descredibilizou toda a ideia que havia sugerido. Foi a primeira (e felizmente a única) vez em que ouvi que não teria “pulso firme” para cumprir o que havia proposto e ainda que eu tivesse (o que a pessoa deixou bem claro que não acreditava), não teria credibilidade para ninguém.

    Nesse dia, eu não ouvi apenas um “não”, ouvi uma mentira que eu “era nova demais para isso” e que por pouco não se instalou no meu coração e me fez encerrar o Ágape. Depois desse episódio, minha própria consciência tentou me fazer acreditar que minha idade era um problema ou um empecilho para estar a frente de um projeto assistencial. O que me fez continuar foi a promessa de Deus para minha vida! Hoje eu creio que se Deus me deu um sonho, se ele me chamou para estar à frente do Projeto Agape, Ele vai me capacitar e prover todas as coisas. Uma frase que me identifico muito e resume basicamente tudo que falei é: “não é sobre o que você tem, mas sobre quem Deus te criou para ser”.

    Felizmente esse foi o único episódio em que minha idade foi um “empasse”. Na grande maioria das vezes as pessoas se surpreendem positivamente quando descobrem minha idade e por vezes me parabenizam, mas o crédito não é meu, eu só obedeço o chamado que Deus plantou em mim! 

    O que ainda está nos seus planos para o projeto?

    Wanessa: Acho que nem se eu escrevesse um livro conseguiria escrever tudo que ainda está nos meus sonhos para o Projeto, porque são muitos. Eu acredito que o Projeto Ágape é fruto de uma promessa, por isso, sonho alto… Sonho com o dia que o Ágape se tornará uma associação ampla, com recursos para ajudar muitas e muitas pessoas e que, além de ajudá-las momentaneamente, possa dar a elas oportunidades que mudem a rota de suas vidas, mas os mais imediatos são: ter uma sede própria e agregar mais voluntários e parceiros para que nosso amor ágape possa alcançar mais e mais pessoas em Barbacena e região.

    Para acompanhar Wanessa Santarosa, siga o Instagram dela e do Projeto Ágape, dessa forma será possível participar das ações e ajudar com doações: @nessasantarosa e @agapebarbacena

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