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Há 60 anos, ex-craque do Botafogo morreu em Barbacena, diagnosticado como louco

 

Hoje (08/11), marca os 60 anos de morte do craque, gênio e polêmico – Heleno de Freitas – um dos maiores ídolos do Botafogo (RJ) e um dos melhores jogadores de todos os tempos do futebol brasileiro. Nesse dia, no ano de 1959, Heleno, que estava internado desde 1954, morreu, praticamente abandonado, na casa de saúde São Sebastião, em Barbacena, com neurossífilis ou sífilis terciária – que é uma manifestação tardia da doença.

Mas, a historia de Heleno com Barbacena se iniciou bem antes de 1954. Heleno de Freitas nasceu em 1920 em São João Nepomuceno, Minas Gerais. Na década de 1930, após a morte de seu pai, sua mãe vende todos em bens em sua cidade natal, e parte da família Freitas se muda para Barbacena, onde inicia um comércio na região da Praça da Estação.

Nessa época, Heleno chegou a estudar no Gynásio Mineiro, onde se instala hoje a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar). Nesse mesmo período, o jovem Heleno fez uma grande amizade com José Theobaldo Tollendal que, futuramente, fora seu médico e confidente na Casa da Saúde São Sebastião.

Heleno de Freitas começou nos juvenis do Fluminense, após sua mãe vender os bens em Barbacena e se mudar para a cidade do Rio de Janeiro. Marcou 204 gols pelo Botafogo em 233 jogos. Além do Botafogo, clube que defendeu de 1945 a 1948 e 1950, o centroavante atuou pelo Vasco (1949), Boca Juniors da Argentina  (1951), América do Rio (1951), Atletico Barranquilla (1951 e 52) e Santos (1953). Na carreira, disputou 186 jogos oficiais.

Nervoso em campo e boêmio fora dele, Heleno se irritava com o apelido que ganhou: Gilda (personagem da atriz americana Rita Hayworth). Por não suportar a dor da derrota, chegou muitas vezes a discutir com os próprios companheiros, em suma, um profissional com alma de amador.

Na sua brilhante e agitada trajetória, também marcada por diversas expulsões e confusões em campo, Heleno conquistou apenas um título: o Carioca de 1949. Pela seleção brasileira marcou 15 gols e ao todo, na carreira, fez 265.

Em 1940, o jogador galã pegou suas malas e foi desfilar seu futebol, e seu charme, no Boca Juniors. Logo na estreia, no dia 6 de junho, o centroavante marcou dois na vitória por 3 a 0 contra o Banfield. A passagem pelo time de Buenos Aires durou apenas seis meses. Foram 17 jogos e 7 gols.

Um de seus últimos clubes como atleta profissional foi o Santos, onde desembarcou em 1952, trazido pelo então dirigente Orlando Monteiro Neto. Porém, a estadia do mineiro foi relâmpago: apenas alguns treinos na Vila Belmiro, problemas com colegas e um grande desentendimento com Aymoré Moreira, técnico do time, foram suficientes para sua partida da baixada santista.

Em 19 de dezembro de 1954, Heleno de Feitas deu entrada na Casa de Saúde São Sebastião, conforme documentos do prontuário 220, uma pasta com cerca de 120 cartas trocadas entre o Dr. José Theobaldo Tollendal e Heraldo de Freitas, que custeou as despesas do irmão. Foi o médico que, um mês antes, havia descoberto, em exame na Casa de Saúde Santa Clara, em BH, a doença que mataria Heleno: a neurossífilis.

Relatos

Muitos barbacenenses que tiveram contato com Heleno deixaram suas experiências com o craque eternizadas nas páginas de jornais e na memória local. O saudoso ex-goleiro Danton, que conviveu com Heleno, quando ia aos treinos do Olympic acompanhado do Dr. Tollendal, em Barbacena, também lembrou dos casos do ex-craque do Botafogo. “Ele falava para gente que namorava as mulheres mais bonitas. Contava que teve caso com a Eva Perón, quando estava na Argentina”, contou.

Já o cronista esportivo Hamilton Fonseca, de 82 anos, que, ainda hoje, é atuante na imprensa esportiva local – pela rádio Sucesso e Folha de Barbacena (FB) –, contou sobre Heleno de Freitas em Barbacena. “Conversei com ele quando, algumas vezes, ele ia ao Olympic, com seu médico e amigo o saudoso Dr. Tolldenal. Ele ficava da arquibancada ensinando os jogadores do Olympic a não colocar a mão na bola. Ele dizia: ‘jogador de futebol usa apenas os pés, e nunca as mãos.’. Ele também frequentava as partidas do time da PM – o Independente -, no campo do Independente, onde hoje está instalado o Colégio Tiradentes. Como a Casa de Saúde era perto do campo, era comum vê-lo lá, assistindo os jogos e brigando com os jogadores”, afirmou.

“Nos últimos anos de Heleno em Barbacena, como ele já estava muito doente, era raro vê-lo. E em oito de novembro de 1959 ele nos deixou. Era um grande craque, mas, infelizmente, levou uma vida que se encerrou rapidamente, sendo que ele morreu com apenas 39 anos”, concluiu.

Casa de Saúde São Sebastião

A antiga Casa de Saúde São Sebastião, com o tempo, deu lugar ao hotel São Sebastião (foto), localizado à rua Hamilton Navarro, ao lado da igreja de São Sebastião. Atualmente, no local, há uma obra de um edifício, sendo que o antigo hotel foi demolido a cerca de cinco anos.

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