Um café com açúcar, por favor!

17/02/2021 16:19:00 - Atualizado em 17/02/2021 16:23:56

 

Por Nayara Coelho.

 

O pensamento que me permitiu finalmente entender que eu não te amo mais, mas sim a projeção que eu criei de você, foi o meu acompanhante hoje pela manhã! 

Tudo começou quando tomei o primeiro gole de café e vi como estava forte e amargo. Eram duas características que me faziam lembrar de você! Sem contar que era o tipo que você tomava sem nem hesitar. Sim, até disso eu recordo!

Tentei gostar dele assim também. Não por mim, mas por você, por nós! 

Só que dessa vez você não estava ali para me fazer companhia, e eu não precisava mais fingir que gostava do mesmo que você! 

Então, como se tivesse traindo a confiança de alguém, coloquei açúcar, esperando que o amargo se dissolvesse junto com aquelas lembranças. Mantive a esperança de que acontecesse o mesmo com as feridas que já tinham cicatrizado, mas que estavam doendo de novo naquele momento!

Fui misturando e tomei outro gole. Parecia que minha alma havia saído de mim e me abraçado como há muito tempo não acontecia. Um abraço quente e reconfortante, que aliviou minha mente por alguns minutos!

De gole em gole fui recuperando minhas forças, despertando o meu corpo e o meu bom senso também.

Quando olhei a caneca ali, vazia, percebi que por eu também estar vazia, tentava de todas as formas fazer com que esse amor, idealizado por mim durante tantos anos, me preenchesse de forma vital, passando por cima do que eu preferia de verdade!

Meu erro? Eu sei, mas quem nunca?

Não há mal nenhum em comparar amores ao café. Uns são mais fracos, outros mais fortes, e existem de vários tipos para vários gostos.

Só que escolher um café amargo, quando é o doce que me agrada, é algo que até tentei me acostumar, mas no fundo sabia que não era o que devia estar transbordando em minha xícara.

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