Um breve histórico do Arraial da Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo

15/08/2020 08:43:00 - Atualizado em 15/08/2020 08:50:58

 

Por Guilherme Oliveira.

PARABÉNS BARBACENA PELOS SEUS 229 ANOS !!! 

O território que delimitava a região que viria a ser a Comarca do Rio das Mortes, atual Barbacena,  era ocupada por grupos indígenas das etnias Puri, Coropó e Coroados,  até a primeira metade do Século XIX, época em que foram mortos ou  expulsos de suas terras, pouco deixaram de seu mundo,  Artefatos arqueológicos ainda hoje são encontrados na região.

É a partir daí que começa a história do Arraial da Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, posteriormente  Vila de Barbacena, tem seu  início no ano de 1698, quando o Capitão Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes, abre um caminho mais curto para a ligação entre o Rio de Janeiro e o interior das Minas Gerais. Assim surgiu o primeiro núcleo colonial desta imensa região, no entroncamento dos Caminhos Velho e Novo, posteriormente, Estrada Real.

O nascimento do arraial começou pela construção capela consagrada a Nossa Sra. da Piedade que tornou-se matriz em 1726. A capela ainda permanece na Fazenda da Borda. Com a distribuição de muitas sesmarias na região, esta ficou pequena para o grande número de moradores da Borda do Campo, por isso decidiu-se pela construção de uma igreja maior, em terras da Fazenda da Caveira de Cima. A decisão se deu em 1725. Em torno desse templo, em 1753, foi autorizada a construção de casas. O arraial se expandiu à medida que pequenas casas comerciais se estabeleciam para atender os tropeiros que circulavam na Comarca do Rio das Mortes. Em 1791, com a exploração do ouro já em decadência, o então Arraial da Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, foi elevado à categoria de vila, recebendo a denominação de Barbacena, quando de sua emancipação em 14 de agosto de 1791. Era então o governador de Minas,  o Sr Luiz Antônio Furtado do Rio de Mendonça, o Visconde de Barbacena que, em meio ao processo de repressão à Inconfidência Mineira, estava sendo pressionado pela população do Arraial a separá-lo do termo de São João Del-Rei. O nome de Barbacena significa, 'Cabana de Bárbaros' e é originário de uma aldeia de bárbaros localizada na atual região de Elvas, cidade portuguesa do Alentejo, que até hoje mantém um pequeno distrito com o mesmo nome. A família nobre que ostentava o titulo de senhores de Barbacena marcou a história brasileira com um Vice-rei, um governador da capitania do Rio de Janeiro, de Minas Gerais - o sexto visconde de Barbacena que deu o seu nome à cidade. O Visconde de Barbacena, apesar de ser visto historicamente no Brasil como o algoz dos Inconfidentes, era um nobre culto, especializado em mineralogia e ciências.

Nas primeiras décadas do Século XX Barbacena inaugurava inovações e consolidava projetos da virada do século anterior. A Estação Sericícola de Barbacena, foi uma indústria-escola destinada a disseminação da cultura da seda natural no Brasil. Por trás deste projeto está o imigrante italiano Amilcar Savassi. Tão visionário quanto Savassi, chega a Barbacena Paolo Benedetti , que além de manter um cinematógrafo na cidade, faz experiências com o cinema sonoro. O filme “Uma transformista Original” sincroniza as imagens de uma jovem cantora da Colônia Rodrigo Silva com sua voz registrada em um disco de gramofone. A exibição feita para uma plateia composta por Bias, Andradas e Sena Figueiredo, acontece em 1910. Aliás, da Família Sena Figueiredo, vem a iniciativa da primeira importação do gado holandês, consolidando esta parte de Minas Gerais como a pioneira da indústria de laticínios no país. Mas a fama do nosso queijo já estava estabelecida há pelo menos cem anos. Por volta dos anos 20 e 30 Barbacena tem fábricas de cigarros, cerveja, cordas e um comércio consolidado. A loja Bota de Ouro, criada pelo sapateiro Jeremias Paolucci, dita a moda desde 1880. Os anúncios se multiplicam nos clichês de diversos jornais que circulam na cidade. O primeiro deles data de 1839 e se chama “O Parahybuna”, época em que o rio que corta Juiz de Fora ainda estava no território de Barbacena - Juiz de Fora foi distrito de Barbacena até 1850.
As consequências do envolvimento de lideranças barbacenenses no Movimento Liberal de 1842, possivelmente deixou a cidade sem jornais impressos até 1880. Daí para frente, dezenas deles surgem, alguns inusitados como o “Revolucionário” publicado durante a Revolução de 1930 - de 5 a 29 de outubro - até o mais longevo deles: Cidade de Barbacena, de 1898 a 1993. A imprensa, além do registro factual ainda nos reserva o privilégio de apresentar obras fundamentais de escritores como o Padre Mestre Correia de Almeida e desenhos de Alberto Delpino, pai de Delpino Júnior, um mestre da pintura e da caricatura anos mais tarde.

As Iniciativas que preservam os bens culturais

- A criação do Museu da Loucura, em 1995, é um marco na história da psiquiatria brasileira, instalado no prédio do antigo Hospital Colônia.

- O antigo Solar dos Penna, da Familia do Visconde de Carandaí, abriga o Museu Municipal, onde é contada a história de Barbacena desde os tempos dos índios Puris até a modernidade, além de manter a Sala da Imprensa, que guarda relíquias da imprensa regional, em especial as oficinas tipográficas do Jornal Cidade de Barbacena.

- O pintor romeno Emeric Marcier tem hoje sua residência preservada, com afrescos de grandes dimensões, no chamado Sítio Sant´Anna.

- A casa de Georges Bernanos, desde 1968 está mantida para registrar a passagem do escritor francês que viveu em Barbacena por cinco anos – de 1940 a 1945.

- Arquivo Histórico Municipal Professor Altair Savassi (AHMPAS). Criado em 2003, é um órgão subordinado à Diretoria de Cultura da AGIR, Agência de Desenvolvimento Integrado de Barbacena e Região, da Prefeitura Municipal de Barbacena. O AHMPAS tem por finalidade recolher acervos documentais permanentes e coleções referentes à história de Barbacena e região, de caráter público e privado, para preservá-los, organizá-los e descrevê-los a fim de facilitar a consulta dos documentos e de torná-los úteis à pesquisa. O Arquivo visa, ainda, realizar a gestão documental e elaborar instrumentos de pesquisa, objetivando tornar acessível o acervo, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento de estudos sobre a localidade, possibilitando o resgate da memória e da história regional e garantindo ao cidadão um acesso rápido e eficaz à informação.
Barbacena se localiza no Estado de Minas Gerais na região campos das vertentes a serra da Mantiqueira atitude 1164 mts
Latitude 21°13'33"
Longitude 43°46'25"
Numa área de  795,186 km4
População estimada em 136,689 hb
Densidade 180,05 hb por km4
IDMH 0,789  (alto)
PIB R$ 1.363.976.561 mil
Municípios limítrofes :
Barroso, Carandaí e Ressaquinha = Norte
Santos Dumont, Antônio Carlos e Ibertioga = Sul
Desterro do Melo, Sta Barbara do Tugúrio e Oliveira Fortes = Leste
São João del Rei e Prados = Oeste
Distância da capital e de 169 km
Padroeira é a Nossa Senhora da Piedade !

No vídeo abaixo ouvimos o hino de Barbacena, enquanto apreciamos belas imagens da cidade.

Vídeo: Guilherme Oliveira

 

 

Registros de Barbacena
Registros de Barbacena

A coluna Registros de Barbacena é assinada por Guilherme Oliveira, um apaixonado pela memória e curiosidades da cidade. Aqui você confere um pouco dos registros da história de Barbacena e região.

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Marcelo Miranda
Agencia Qu4tro