Trisal

21/05/2021 15:20:00 - Atualizado em 21/05/2021 15:20:36

 

Já dizia Carlos Drummond de Andrade “João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém.”

Se até Drummond discorreu sobre isso em sua época e nos fez pensar, nos dias atuais, o tão polêmico, porém cada vez mais comum “Trisal” chega à essa coluna.

Antes de colocarmos alguns pontos para pensarmos no assunto, preciso introduzir vocês em alguns fatos para poder balizar seus questionamentos.

Vamos iniciar pela ciência até chegar ao social de forma rápida. Existem estudos em todo o mundo que afirmam que o ser humano não é monogâmico, e sim poligâmico.  É o que diz o portugues Rui Diogo, que investiga nosso padrão afetivo usando a ciência e dados históricos.

Podemos incluir aqui fatos comprovados cientificamente que somos biologicamente criados para nos reproduzir e manter nossa descendência.

Rui, em uma de suas palestras na Europa, garantiu que não há fundamentos biológicos para a monogamia, e entrando no lado social, se fossemos poligâmicos não precisaríamos de leis que classificariam tal ato como errado diante de toda sociedade, sendo crime em alguns países.

O que nos leva à questão cultural: a monogamia é comum e aceita como verdade absoluta das relações em sua grande parte no ocidente; já no oriente é mais comum você encontrar países que tem em sua cultura o casamento entre várias pessoas.

Óbvio que aqui beiramos um segundo assunto, o machismo nesses países e em suas tradições, mas não vamos nos aprofundar neste tema hoje.

E por fim, mas não menos importante, o fato do surgimento das novas formas de amar, como o poliamor. Que na minha visão, possibilita o envolvimento entre várias pessoas no ocidente, principalmente no Brasil, sem tanto pudor.

O poliamor tem como significado a prática ou desejo em ter um ou vários relacionamentos sexuais ou românticos de forma simultânea, com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos.

Lembrando que um Trisal não é um Ménage a trois, que se constitui somente numa questão sexual. O Trisal envolve todo o contexto de um relacionamento a dois, porém com o envolvimento de uma terceira pessoa, onde todo o contexto da relação é  adaptada para o convívio harmônico dos envolvidos.

Informações dadas, vamos ao que penso, lembrando que é uma visão atual, do momento em que vivo, com as crenças que tenho, o que pode mudar com o passar do tempo, e não constitui uma verdade absoluta, apenas uma verdade na qual estou inserido neste momento.

Penso que realmente não somos monogâmicos, acredito sim que somos seres polígamos, e que não aceitamos esse envolvimento de uma terceira pessoa em nossas relações por questões culturais e falta de habilidade emocional para lidar com tal situação.

Mas já adiantando, isso não nos dá o direito de ferirmos pessoas sob a famosa desculpa masculina “eu sou homem, está em mim”, ou a famosa frase das mulheres “estava carente e ele me pegou num momento fraco”.

Acredito que exista sim a possibilidade de um envolvimento a três, já tendo me interessado por tal situação, à qual me levou a ter experiências de troca de casais.

Vejo em todas as minhas relações afetivas a liberdade da minha parceira em ser quem ela é, em ser livre, sem julgamentos, sem pudor, apenas Ser aquele momento de encontro entre dois universos. Não existe prazer maior ao compartilhar quem somos, não existe prazer maior ao ver nos olhos da sua parceira aquele brilho da liberdade.

Isso pra mim é fundamental e ao meu ver não pode existir uma relação sem tal liberdade. Como diz Dido em sua música No Freedom "Não há amor sem liberdade, Não há liberdade sem amor..."

Mas, ressalto aqui, como citado acima, acredito numa relação à três, desde que tenha o consentimento e o conhecimento de todos os envolvidos, sem que tal relação seja prejudicial de alguma forma para um dos envolvidos.

Eu no entanto, não conseguiria participar de um trisal, não no meu momento atual, já que não tenho a habilidade emocional de controlar e entender tal relação, mas confesso que me sinto poligâmico. A experiência na troca de casais que tive, me mostrou que precisamos ter um controle muito grande das nossas emoções.

Mas para finalizar, onde entra o amor nisso tudo?

Amar na minha visão não é algo definido, é pra mim o sentimento mais poderoso e o qual nós, seres humanos, estamos longe demais de compreender toda sua extensão, já que somos seres compostos por uma parte da nossa essência vinda do Ego.

Então, se o amor não pode ser definido ao meu ver, ele pode sim, assumir diversas formas de se amar. Seja num trisal ou em qualquer tipo de relacionamento.

Vamos falar mais sobre isso? Deixa seu comentário na Foto oficial do Instagram da Folha de Barbacena (@folhadebarbacena) e vamos bater um papo sobre o tema, quem sabe o próximo artigo não venha da sua opinião.

Espero que tenham gostado do tema sugerido por nossos leitores. Se quiser um contato mais próximo comigo, será bem vindo nas minhas redes sociais, segue meu instagram caso queira participar do meu pequeno universo @joaopaulocout0.

Um grande abraço e até a próxima.

João Paulo Couto
João Paulo Couto

Um intenso aprendiz da vida. Autodidata desde o ano de 1998, o que permitiu com que chegasse a mais de vinte áreas de estudos diferentes, criando desta forma uma teia de habilidades conectadas em diversas áreas do conhecimento e categorias profissionais. Intenso e profundo, busca entender os porquês da vida. Costuma dizer que cada pessoa é um pequeno universo em constante expansão. Seja bem-vindo ao universo de João Paulo Couto.

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