Quando introduzir novos alimentos para o bebê?

19/12/2020 08:00:00

 

Uma dúvida bastante comum entre os pais de primeira viagem é sobre como e quando iniciar a introdução alimentar do seu bebê. O Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde (MS/OPAS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria estabeleceram, para crianças menores de 2 anos, alguns passos para uma alimentação saudável.

Deve-se dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos. A partir dos 6 meses, atendendo ao desenvolvimento neuropsicomotor do lactente, é possível iniciar a introdução de outros alimentos, mantendo-se o aleitamento materno até os 2 anos de idade ou mais.

Nesta idade, grande parte dos lactentes saudáveis já apresentam a capacidade para sentar sem apoio, sustentar a cabeça e o tronco, segurar objetos com as mãos, e explorar estímulos ambientais. Outras aquisições são o desenvolvimento oral, o desaparecimento do reflexo de protrusão, e o aparecimento dos movimentos voluntários e independentes da língua, fazendo com que o alimento role na boca e a criança o mastigue (Imagem 1). Estes são os aspectos motores que indicam que se pode iniciar a introdução de outros alimentos, denominada alimentação complementar. A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.

Imagem 1:

 

 

FONTE: Científico, Conselho, and Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida. "A Alimentação Complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning)."

Desse modo, para a Sociedade Brasileira de Pediatria, é fundamental que seja enfatizada a necessidade do acompanhamento da criança pelo pediatra, único profissional capacitado para tal, durante a fase da puericultura, quando serão oferecidas aos pais e responsáveis orientações nutricionais, com respeito ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, incentivo aos hábitos saudáveis e diagnóstico/tratamento de doenças. O mesmo deve ocorrer em consulta pré-natal, na qual se pode orientar a importância do aleitamento e tirar dúvidas.

O acompanhamento com o pediatra é essencial pois, cada faixa etária é composta por um período da introdução alimentar. No sexto mês se introduz as frutas e a primeira papa principal (almoço ou jantar); entre o sétimo e oitavo mês já se pode introduzir a segunda papa principal; a partir do nono mês e o primeiro ano de vida gradativamente os pais vão promover para a criança a refeição igual à da família, com ajuste na consistência e sem adição de sal.

Orienta-se que, desde a primeira papa, a refeição deve conter cereais ou tubérculos, proteína vegetal ou leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico), proteína animal (todos os tipos de carnes, vísceras e ovos), hortaliças (verduras de folhas e legumes) (Imagem 2). Devem ser temperados com salsa, cebolinha, alecrim, manjericão, sem adição de sal. Da mesma forma, não há indicação de açúcar antes do segundo ano de vida, e mesmo após esta idade, o consumo deve ser esporádico e não algo rotineiro.

Imagem 2:

 

 

Esquema do prato para ser utilizado em todas as idades, variando o tamanho das porções.

FONTE: Leite, Christiane Araujo Chaves, et al. "DEPARTAMENTO CIENTÍFICO DE NUTROLOGIA–SBP–2018

Como realizar a introdução alimentar? Existem três técnicas:

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1. Tradicional: os alimentos evoluem das papinhas para sólidos aos poucos, e a alimentação sempre é feita pelos pais.

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2. BLW (Baby-Led Weaning) que significa: o desmame guiado pelo bebê. Defende a oferta de alimentos complementares em pedaços, tiras ou bastões desde o princípio, e a criança se alimenta sozinha com as mãos, instigando a autonomia.

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3. Intermediaria ou participativa: os pais auxiliam a alimentação, mas a criança ainda tem liberdade para comer com as mãos e, progressivamente, com a colher.

Não há evidências científicas de qual desses seja o melhor método, todos são adequados desde que sejam seguidas as orientações da SBP, do MS e da OMS, tanto do ponto de vista nutricional como comportamental.

Retardar a introdução de alimentos complementares não protege a criança do desenvolvimento de doenças alérgicas, podendo mesmo aumentar este risco. Existem alguns alimentos que não devem oferecidos para menores de 1 ano, são eles: mel, leite de vaca, sal, sucos (dar a fruta e não o suco dela), doces, refrigerantes, morango e kiwi (frutas frequentemente causadoras de alergia).

Já o ovo, que costuma gerar muita polêmica quanto a sua introdução, é recomendado pela SBP que sua introdução na alimentação seja feita entre o sexto e nono mês de vida do bebê, exceto para aqueles que possuem histórico familiar de alergia ao alimento, nesses casos a idade mínima para a inclusão do mesmo na dieta é 1 ano. Vários estudos demonstram que o ideal é que se oferte o ovo inteiro (gema + clara), além de que se essa introdução for retardada, ou seja, após o nono mês o risco de alergia aumenta 1,5 vezes.

A introdução alimentar é mais do que só comer, é uma experiência única na vida da criança, para aprender texturas, além do fato de que aguça todos os sentidos: paladar, olfato e tato, sendo essa fase de extrema importância. Portanto, sempre procure um pediatra para te auxiliar nesse momento e fazer com que ele seja feito da forma mais correta e saudável para o seu bebê.

 

Por: Isabela Gondim Wulf - acadêmica do 9º período e presidente da Liga acadêmica de Pediatria

 

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