O monumento a Bias Fortes em Barbacena

26/11/2020 11:21:00 - Atualizado em 26/11/2020 11:27:49

 

Por Guilherme Oliveira.

Chrispim Jacques Bias Fortes, nascido em 1847, no distrito de Livramento, atualmente cidade de Oliveira Fortes, formou-se em direito em São Paulo, iniciando suas funções públicas como delegado de polícia, juiz municipal e advogado em Barbacena. Foi o mais famoso republicano mineiro do século XX, que governando Minas Gerais em 1897, foi o chefe do Executivo mineiro que transferiu a capital de Minas Gerais de Ouro Preto para Belo Horizonte, era filho de um advogado, que iniciou sua carreira política no Partido Liberal em 1870.

Bias Fortes se apresentava sempre bonachão, aos que convivia com ele, a primeira impressão era a de uma pessoa facilmente manipulável, mas, o político serrano das Minas Gerais era possuidor de um carisma e principalmente, de uma personalidade tão cativante e equilibrada, que não demorou em congregar sob o seu mando um enorme grupo de seguidores, porque antes de qualquer qualidade ou defeito que possuía, o que mais lhe sobressaia na política era a astúcia.

Contemporâneo da época do coronelismo, Bias Fortes era chamado apenas de doutor, o Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes, o importante político republicano mineiro, o coronel que de fato o era, mas sem títulos, sem alarde. O poderoso político que influenciou os destinos administrativos de Minas Gerais por pelo menos trinta anos.

Bias Fortes faleceu no dia 14 de maio de 1917 e a sua morte influenciou a política em Minas Gerais e principalmente em Barbacena.

A sua figura carismática ficou marcada na sociedade barbacenense e muitos quiseram homenageá-lo. Ideias surgiram para a construção de bustos e monumentos em sua homenagem, como o busto que existe na Praça da Liberdade, logo em frente ao Palácio da Liberdade em Belo Horizonte.

O primeiro monumento construído em sua homenagem foi o mausoléu erguido sobre o seu túmulo no cemitério da Boa Morte em Barbacena. Esta homenagem foi erigida em 1919 e até meados dos anos 1930, todos os anos, no dia 14 de maio, havia sempre peregrinação ao seu mausoléu e homenagens à sua memória.

Mas, os políticos e grande parte da sociedade barbacenense ainda não satisfeita com esta homenagem póstuma, resolveram criar uma comissão em 1927, para erguer um monumento ao seu vulto histórico. O entendimento na época era que o mausoléu havia sido erguido em honra à sua memória, num período de consternação pela sua morte. A ideia alentada ao final da década de 1920 era erguer um monumento que representasse a sua figura para a cidade, algo grandioso e que fosse perpetuado para as gerações futuras.

O plano era erguer um monumento de expressão para a cidade, até então carente de monumentos em praça pública. Até 1930 os monumentos mais expressivos em Barbacena eram a coluna da Liberdade (onde hoje está o globo, da Praça Conde de Prados) e o busto em honra ao Padre Mestre Correia, localizado na Praça dos Andradas. Primeiro pensaram em erguer um monumento a Bias Fortes na Praça da Estação, mas, depois, consideraram mais interessante um grande monumento no coração da cidade, na Praça dos Andradas.

Então, com o apoio do Governador Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, também barbacenense, e tendo à frente da comissão o seu irmão, o Deputado Federal José Bonifácio de Andrada e Silva, foi organizada a construção do monumento em homenagem a Bias Fortes, orçado em 150:000$000 (Cento e Cinquenta Contos de Réis).

A esquerda do monumento temos uma figura máscula sustém nos braços uma bigorna, simbolizando o “Trabalho”.

A direita temos a figura de uma mulher, tendo nos braços uma criança, simboliza a “Família”.

E ao centro temos a figura de outra mulher, simbolizando a “Cidade de Barbacena” ,tem nas mãos uma coroa de louros.

Na parte posterior do monumento as “Armas da República” cuja intenção é lembrar às futuras gerações os inestimáveis serviços a ela prestados pelo homenageado.

A figura de Bias Fortes foi apresentada na maquete em atitude natural, com o seu tradicional guarda-chuva e o seu inseparável chapéu de Chile. Na obra definitiva em praça pública, o guarda-chuva não foi esculpido na estátua de Bias Fortes, somente o chapéu.

O monumento foi festivamente inaugurado no dia 11 de agosto de 1930.

Vemos um registro de 1955, fato acontecido quando um grupo de jovens boêmios que gostavam de fazer serenata, tocar e cantar, haviam bebido um pouco a mais e subiram no local da estátua que estava solta e eles não perceberam, assim causando a queda da mesma. Foi uma atitude impensada da juventude de outrora, descartando assim atos políticos.

Em outro registro vemos o antigo carro funerário que era dirigido pelo Sr José Pedro, e foi usado para o translado do corpo de Bias Fortes até o cemitério da Boa Morte.

Fotos: Ricardo Paolucci / Ari Gomes Resende / Domínio público.

Registros de Barbacena
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A coluna Registros de Barbacena é assinada por Guilherme Oliveira, um apaixonado pela memória e curiosidades da cidade. Aqui você confere um pouco dos registros da história de Barbacena e região.

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