O conto sobre a incandescência

01/02/2021 16:56:00 - Atualizado em 01/02/2021 17:05:36

 

Por Isabella Paolucci

 

Uma vez eu conheci uma estrela cadente e nela projetei desejos com a certeza que carregava em mim de que eles se realizariam. Ela era a coisa mais brilhante e iluminada em que meus olhos já focaram, atraindo-me para sua armadilha tão previamente planejada para me ter como um dependente.

Dependente do que ela poderia me oferecer, dos milagres prometidos por todos nas histórias passadas através de gerações.

Eu me entreguei, optando por agarrar-me a uma mera possibilidade milagrosa no lugar de encarar aquela busca que não era de ninguém mais, além de minha. A espera por algo que nunca veio foi dolorosa e demorada, mas ainda sim não perdi a esperança, afinal era menos trabalhoso esperar do que de fato tomar atitudes, e eu realmente gostava do meu conforto ao lado de suas faíscas incandescentes.

O brilho dela era tão acolhedor, capaz de queimar a todos que ousassem se aproximar para retirar-me daquela bolha na qual ela me colocou e eu aceitei prontamente, bêbado de desejos.

E assim, mesmo de pé ao lado de algo que queimava, fiquei congelado por anos, apenas esperando, cego por seu brilho. Agora, estou velho e arruinado, incapaz de enxergar após tanto tempo diante de tamanha luminescência e por isso me encontro incapaz de retomar minha busca.

A estrela? Mantém-se iluminada de maneira atrativa, sempre conquistando novas pessoas que preferem manter-se no mundo dos desejos a batalhar por algo realmente significativo. Eu não sou o único e não há nada que eu possa fazer, pois meus alertas em nada resultariam, considerando o fato de que sou apenas um senhor caduco, visto por outros como só mais um que se acha dono da verdade.

Uma verdade que não conheci até que me dei conta do que fazia, já tarde demais para me libertar de tal hipnose.

E não há nada que eu possa fazer, nada além de contar-lhes a minha história, que pode ser levada como motivação e um alerta, ou também apenas como mais um conto de um velho gagá que, frustrado por nunca ter alcançado coisa alguma em vida, provavelmente será ceifado pela amargura em um futuro próximo.

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