O Congado barbacenense

07/10/2020 13:52:00 - Atualizado em 07/10/2020 14:02:38

 

Por Guilherme Oliveira

O congado, é uma manifestação folclórica de origem africana comum em todo o Brasil, mais tradicional no Estado de Minas Gerais, e por essa raazão, certamente Barbacena não ficaria de fora. Geralmente as apresentações do congado são em  forma de desfile, nele é reproduzida a coroação e as homenagens prestadas ao Rei do Congado, e é também reverenciada a fé em suas Padroeiras, tudo com muita dança, música e cor. O Congado propriamente dito é uma dança dramática que narra a escravidão, e outras práticas da manifestação têm inspiração em vários elementos rituais dos africanos. 

Sua história remonta ao Brasil Colonial, tendo se originado da mescla de influências lusitanas e africanas. Os escravos trazidos da África buscavam, através de rituais, extrapolar seus sentimentos e culto a sua fé. O Congado nasceu da fusão destes ritos com a religião católica, imposta aos negros pela Igreja, surgindo novas histórias que envolviam, sobretudo, Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Ifigênia, Nossa Senhora das Mercês e Nossa Senhora da Aparecida.

Vemos alguns registros de 2016, de um desfile de Congado em Barbacena, onde podemos ver também a imagem de Nossa Senhora do Rosário carregada pelos participantes. Nossa Senhora do Rosário é padroeira dos escravos que construíram a igreja de Nossa Senhora do Rosário em Barbacena, a mesma que depois  eles foram impedidos de adentra-la. O Congado e sua forma de apresentação diferem de uma região para outra. Apesar disso há uma união religiosa, permanecendo o culto a Nossa Senhora do Rosário e aos antepassados.

Para os congadeiros a Nossa Senhora do Rosário está de corpo presente na festa. Para eles não é representação, mas sim vida. O Congado tem reconhecimento da Igreja Católica. É religiosidade reconhecida por ela.

AS CORES

Cada guarda de Congado carrega em suas cores e enfeites um significado. O azul, por exemplo, é a cor do céu e do manto da santa; o branco significa paz; o verde, esperança; o amarelo, a riqueza. O vermelho simboliza a guerra e o sangue, enquanto o preto expressa luto e tristeza.

Os moçambiqueiros podem carregar em seus enfeites o azul, o branco e o amarelo; os congadeiros levam o rosa, o verde e o branco, e os que pertencem à guarda de catupé geralmente usam cores variadas.

Mas a caracterização pode ser feita de várias maneiras, seja por meio do vestuário, seja por instrumentos, símbolos condutores, tipos de movimento e de dança e até linguagem dos cantos. 

Fotos: Guilherme Oliveira

Registros de Barbacena
Registros de Barbacena

A coluna Registros de Barbacena é assinada por Guilherme Oliveira, um apaixonado pela memória e curiosidades da cidade. Aqui você confere um pouco dos registros da história de Barbacena e região.

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