O abandono

23/04/2021 15:43:00 - Atualizado em 23/04/2021 15:43:41

 

Por George Loez

 

Notei que te deixei de lado e fui constatar muito depois.

E que em uma fase da minha vida tudo começou a mudar sem eu perceber; muitas coisas novas, informações difíceis de assimilar, de morosa compreensão.

Não pense nisto como uma desculpa! 

Nem sei o porquê de estar dizendo estas coisas, o conheço muito bem, e sei que não pensará em nada, é o seu jeito de ser.

Sinto mesmo esta necessidade de um desabafo, posso dizer o quanto eu lamento, penso nisto por conta das lembranças e dos momentos que passamos juntos.

E não foram poucos, disto tenho a certeza.

Nossa íntima condição, fazia grudar em você.

Meu verdadeiro amigo! 

Quantas vezes me peguei ao seu lado, abraçado, sentado admirando o mundo ao redor.

Vários foram os momentos, de alegrias e tristezas.

Lembrando de todas as coisas que insistia em compartilhar e da sua paciência em parecer me ouvir.

Como te abraçava, e nunca reclamou do meu excesso de zelo, era perceptível, você só ficava a olhar, era o que dava a entender.

Recebia aquela enxurrada de novidades! 

Tantas que eu me indagava.

Como dava conta?

Nunca me questionou em nenhum dos momentos em que fui mais ríspido, querendo descontar as dores que o mundo me fazia sentir.

Eu não sabia lidar com certas situações de puro sentimentalismo.

Acho que sempre foi mais maduro, e eu só sabia reclamar e reclamar, e você não!

Esta positividade sua perante a vida fazia-me sorrir.

 Estando perto, não tinha medo de nada.

Colados até a hora de dormir.

Que paciência!

Por fim cresci, e hoje sou adulto e por muito tempo não conversava com você.

Mas de certa forma sei que temos essa amizade, e ainda moramos na mesma casa.

Agora também sei que pertence a outra pessoa, mas o fiz por uma boa causa,  nisto eu acredito!

Quando lhe dei de presente a meu filho, sei que como eu, precisaria muito de você.

Algumas coisas seguem gerações, não é mesmo?

Obrigado por tudo, e desculpe o abandono.

Ah! Outra coisa a dizer, nunca esquecerei do primeiro encontro, e no quanto emocionei, foi quando abri a caixa e te vi, este lindo e pequeno ursinho de pelúcia, o primeiro é único, o melhor presente que meu pai me deu.

Abraços felpudos, licença, meu filho ainda dorme e tenho que trabalhar.

 

Do livro: Escultor de Frases

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