Leitura do dia: Equilíbrio

22/06/2020 06:54:00 - Atualizado em 22/06/2020 07:01:48

Por George Loez.

Era esperado que eu caísse mais uma vez! Mas a coragem de arriscar impulsionava, quantos tombos teria que levar para mostrar que estava pronto?
É assim, a vida com suas perguntas incoerentes para nossas respostas vis.
Existiriam talvez  duas possibilidades a serem tomadas; continuar ou desistir, e a segunda parecia mais cômoda pela facilidade da desistência e a certeza da falta de desapontamentos futuros.
A dor momentânea é o que nos faz desistir, em contra partida é também a que nos faz resistir.
O calejamento é uma espécie de armadura de guerra, que se forja com o tempo. Extremamente útil quando lutamos, primeiramente contra o eu, nosso inimigo mais próximo numa guerra sem fim.
Tenho nojo do comodismo, deste tipo de poltrona desconfortavel da inércia existencial, onde insistimos em nos acomodar, assistindo o filme da evolução externa, impressionados com atuações perfeccionistas do outro, sempre nos achando meros espectadores do mundo ao redor. 
Mas eu ainda tentaria mais uma vez, sem  dar conta das quedas passadas.
Além do difícil "equilíbrio" a ser almejado, vinha junto o esforço físico e mental, pois o desgaste das tentativas eram de certo modo corrosivas e já tinham eliminado com uma boa parte da minha esperança, não sabia da proporção que era preciso resistir, só a expectativa da superação alimentava o ânimo da conquista. Subjulgar seria um fardo pesado, não tinha a ideia do quantitativo que carregava, mas ainda era suportável.
 Até quando e porque prosseguir?
 Eram estas as perguntas mais frequentes.
 Porque nos questionamos tanto, em provas de superação, muitas dúvidas surgem por conta do medo de fracassar, talvez seja esta a real necessidade para este diálogo interno.
 Nunca havia uma réplica sequer, por mais que buscasse.
 Até que veio a resposta em forma de conquista, foi quando mantive ereto pela primeira vez dentro do equilíbrio do meu corpo, totalmente afastado do chão em que acostumara apoiar!
 Agora estava eu a sentir a segurança, o dominio, confortavelmente sentado no banco de minha bicicleta, rindo das primeiras pedaladas cambaleantes e das torções que dava sem querer no guidão que  guiava, idêntico ao destino da minha vida.
Foi então que descobri que dali em diante seguir a existência era uma questão de posicionamento e coragem. Aceitando o empenho da luta pessoal de cada dia, igual ao esforço das primeiras pedaladas a  impulsionar, quando eu ainda aprendia a andar de bicicleta.
 Hoje apenas sinto a leve brisa a tocar meu rosto enquanto estou pedalando, solto, confiante, muitas vezes de braços abertos, tranquilamente me divertindo vendo a paisagem ao redor.

Do livro: O Escultor de Frases - Uma Resposta para o Mundo.

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