Diário de quarentena: Último capítulo

15/08/2020 08:07:00 - Atualizado em 15/08/2020 08:15:19

 

Hoje se encerra o nosso diário de quarentena. Não foi fácil começar a escrever sobre a pandemia sem data pra acabar. Na verdade todos sabem que a pandemia não acabou que a vacina ainda não foi oficialmente distribuída e que os cuidados ainda precisam ser redobrados. Porém, a vida já vai dando indícios que é necessário voltar e tentar viver uma vida “normal”. Mas não é fácil ter que ficar de máscara, evitar contato e ter medo de encostar em tudo. Quando a gente volta à civilização no meio de uma pandemia é quase impossível não ter um ataque de ansiedade a cada dia. Mas, como eu disse, a vida tem que voltar ao “normal”. Mas será?!

Esse tempo de isolamento me fez criar hábitos como meditar, apreciar o sol por horas deitada no sofá sem pensar em absolutamente nada, arrumar o armário, ler livros, doar as coisas que não uso mais. A quarentena de mais de 120 dias me fez dar valor à respiração, ao abraço apertado, às conversas banais, aos cafezinhos no fim da tarde com os amigos, aos passeios pela rua. O distanciamento me fez aproximar de mim mesma e dar lugares a sonhos que eu já tinha esquecido, em meio à correria do dia a dia. Tive vontade de viajar, construir um sítio, morar em outro lugar, fazer um trabalho comunitário, escrever um livro, aprender uma atividade nova e a trabalhar mais ainda na realização de metas. E sabe o mais legal?! A maioria dos planos não acabou com a quarentena. Sonhos resgatados com sucesso.

Foram intermináveis dias com medo de morrer e medo de alguém que eu amo morrer. A gente tenta proteger, tentar colocar todo mundo em uma redoma de vidro e claro que é impossível. Foram dias de “ tô espirrando e tô com medo”, “ fui no mercado e cocei o olho”, “tô com falta de ar, mas eu sei que é ansiedade”, “será que eu lavei a mão direito?!”. Foram tantos pensamentos que é difícil lembrar tudo. Só sabemos que a cada boletim epidemiológico atualizado o medo era frequente. Mas com tudo de ruim que a quarentena trouxe, também teve seu lado positivo. Pra mim, o autoconhecimento foi fundamental. As pausas fazem a gente se conhecer, se entender e principalmente organizar o físico e o mental.

Eu encerro o diário da quarentena mais calma, mais confiante e acreditando que as pessoas vão tirar verdadeiras lições dessa fase. Nem todos vão mudar e entender, nem todos passarão por esse detox na alma, mas muitos comprenderão o valor da vida, das pessoas e do amor. Dinheiro é importante, mas nem todo o dinheiro do mundo foi capaz de salvar ou curar alguém na pandemia. Todos estavam no mesmo barco lutando contra a correnteza.

Então, a todos vocês bom retorno à vidal. E pra sempre se cuidem, cuidem das pessoas que vocês amam, ajudem o próximo e principalmente não deixe nunca mais tudo ser normal.

 

Foto: Canva.

 

Thaís Abreu
Thaís Abreu

Formada em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), e Jornalismo, e pós-graduada em Administração e Marketing. Cursando atualmente pós- graduação em Coaching, Liderança e PNL. Começou sua carreira em 2006 estagiando no Jornal Folha de Negócios, cobrindo eventos e fazendo atendimentos publicitários. Em 2017 entrou para a Rádio Correio da Serra com uma participação em um programa. E em 2018 foi convidada a ter seu próprio programa. Ainda em 2018 uniu o seu programa da rádio com o Instagram e conquistou um público fiel que acompanha suas postagens, coberturas, entrevistas e seu dia a dia. Em 2019 foi convidada a ser colunista do site Folha de Barbacena , assinando coluna de entretenimento. Thaís Abreu, mais conhecida como Tatá, faz parte da grade da Rádio Barbacena. Diariamente participa e divide a bancada do programas “No Ar”, " Playlist Barbacena" e " Jornalismo em 30 Minutos". E aos sabados apresenta o" Playlist 94,7 FM".

Ver Publicações


Marcelo Miranda
Agencia Qu4tro