Crônica de Segunda comum

19/04/2021 15:58:00 - Atualizado em 19/04/2021 15:59:00

 

Por Felipe Correia

 

O despertador toca às 6h50 da manhã de segunda-feira, muito cedo pra mim, impraticável para meu vizinho que vive de rendas e muito tarde pra mais de 65% da população que, segundo pesquisas, acorda antes das 6h para pegar o ônibus, moto táxi, carro de aplicativo, bicicleta, caminhada com pressa ou, quando tudo dá errado, carona com o amigo - no caso eu, que acordo às 6h50.

Eu ia falar sobre os 10 minutos de acréscimo que se transformam em 15, 20 ou até o último segundo antes de ter que sair sem se pentear, que a maioria de nós usa para complementar o tempo perdido jogando videogame, assistindo reality ou simplesmente dobrando a camisa tarde da noite, que é o único momento que digamos dá alguma vontade de ser produtivo (suspeito que é por ser um desejo proibido).

Eu disse que "ia falar" pois  recentemente troquei  esse benefício por, em vez de uma caneca de café engolida na velocidade de uma dose de cachaça, uma caneca de café e alguns biscoitos (bolachas) e talvez pão.

Chegar ao trabalho na segunda-feira, pelo menos no meu caso, tem uma escala de comportamento muito bem definida. Se tirei férias recentes, é dia de esperança renovada, sorriso no rosto e saber qual espécie de vexame meus colegas se envolveram no intervalo em que estivemos longe. Se estamos no meio do ano é dia de passar rapidamente pela recepção, correr diretamente para o refeitório onde possivelmente estarão outras almas já com hálito de cafeína e tomar um pingado sem açúcar, esperando assim começar a semana com alguma energia escondida em alguma prateleira do corpo. Por outro lado se há tempos que não fico de chinelo em uma quarta a tarde, segunda é dia de chegar atrasado, cumprimentar com cara de 7 a 1, deixar visíveis as olheiras, fingir ouvir os relatos dos amigos ,fingir ler as notícias pra demorar a ser produtivo.

Hora do almoço, ou melhor hora da virada, é o momento em que a água pode virar vinho (e não é aquele de garrafa de plástico). Com os poderes da marmita com restos de domingo, a vida volta a ser bela e você nem se sente mais tão inconsolável por não estar na praia ou simplesmente por não ganhar na loteria ou achar aleatoriamente uma mala de dinheiro. Sono breve pra te deixar renovado pra semana, agora sim eu e o povo brasileiro e proletariado estamos prontos pra qualquer batente.

Passa-se a segunda de dia, a gente se apressa para pegar ônibus, moto táxi, carro de aplicativo, bicicleta, caminhada com pressa ou quando tudo dá certo, carona com o amigo - no caso eu, que já parei de reclamar do horário que acordo.

Chegando em casa, após todos os afazeres triviais, perdemos mais tempo jogando videogame, assistindo reality ou simplesmente dobrando camisa tarde da noite, que faz na terça-feira você acordar um caco, mas isso é assunto pra outra crônica.

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