COVID-19: A obesidade e a diabetes como fatores de gravidade

07/09/2020 10:57:00 - Atualizado em 07/09/2020 10:58:42

 

Por Laís Fernandes.

Olá! Eu sou Laís Mapa de Brito Fernandes, presidente da Liga Acadêmica de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Medicina de Barbacena. Estou aqui hoje para falar com vocês sobre COVID-19: A obesidade e a diabetes como fatores de gravidade.

A obesidade e a diabetes são doenças endócrinas que aumentam o estado inflamatório do organismo e, consequentemente diminuem a resposta imune do corpo, gerando maior propensão à infecção. Diante disso, elas aumentam as possibilidades de complicações na evolução da Covid-19, visto que ocorre uma grande descarga inflamatória com a presença do coronavírus no organismo.

O coronavírus possui uma grande ação no metabolismo da glicose podendo gerar uma alteração na glicemia de jejum, dessa forma um paciente diabético contaminado pelo Covid-19 pode sofrer uma descompensação, precipitando manifestações graves como cetoacidose diabética (CAD), estado hiperglicêmico hiperosmolar (HHS) e resistência à insulina grave.

A piora da evolução da Covid-19 associada a pacientes com obesidade tem vários fatores, um deles é a mecânica respiratória que é prejudicada pelo excesso de peso, ou seja, há uma maior resistência a ventilação, e ainda com a presença de uma infecção que compromete o pulmão, acaba sendo extremamente prejudicial. Outro fator é a inflamação metabólica, quanto maior o grau de obesidade, mais células de defesa do organismo estarão ocupadas com a inflamação, tornando-as menos eficazes contra o vírus.

Para se ter uma ideia, em uma análise de dados nacionais de diabetes e mortalidade do Reino Unido antes e durante a pandemia, o risco de mortalidade foi maior em pacientes com hemoglobina glicada (A1C) de 7,5 por cento e este risco aumentou de acordo com o aumento dos níveis da A1C. Já na obesidade, utilizando Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 40 kg/ m 2 em comparação com IMC de 25 a 29,9 kg / m 2, em pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2, também foi associada ao aumento da mortalidade por COVID-19.

Portanto, pacientes portadores de diabetes e/ou obesidade são mais propensos a complicações graves, internações na unidade de terapia intensiva (UTI), maior tempo de internação e morte por COVID -19. Estes motivos reforçam a necessidade de a população manter os níveis de glicemia controlados, os pacientes diabéticos serem mais atentos as medicações e ao controle alimentar, e se possível praticar algum tipo de atividade física.

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Marcelo Miranda
Agencia Qu4tro