Contrariada, despeço-me

11/05/2021 15:23:00 - Atualizado em 11/05/2021 15:46:23

 

Por Laura Assis

 

Caminho entre as covas cheias de flores

Lembranças mortas assim como estes moradores

Antes tão vívidos, agora enterrados amores

Sem cura para a alma, sem alento para as dores

 

Amigos que deixei partir e vi desvanecer

Outros, não tive escolha, vi desaparecer

Ainda assisto velhos vídeos e fico a sofrer

Por tão grande e estimado amigo, num golpe, perder

 

Caminho entre as covas sem muitas lembranças

De ser atingida por um golpe de esperança

Ver surgir a face a que me acostumei com a confiança

E constatar que tudo não passou de uma breve intemperança

 

Mas não vejo sequer os rastros daquela bela amizade

Que me preenchia os dias com consolo e bondade

Que me entregava poemas frescos, somente a verdade

Que em versos simples me apresentou a liberdade

 

Um amigo sincero, que se tornaria quase um irmão

Sem nenhum outro ponto de vista do meu coração

Que de graça recebia e me entregava afeição

E era sabido que não havia nenhuma outra intenção

 

Caminho e me sento em em frente à cova rasa

Onde enterraram meu amigo, sua nova casa

Uma lágrima deixo cair, queimando meu rosto em brasa

E sigo em frente, procurando novas asas

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