Construindo a Justiça: entrevista com o Juiz Joaquim Gamonal

17/11/2020 09:25:00 - Atualizado em 17/11/2020 09:44:21

 

De engenheiro e dono de construtora a Juiz de Direito, conheça a história do magistrado Joaquim Martins Gamonal.

 

A equipe da Coluna “O Direito é Família” foi recebida no gabinete do juiz Joaquim Martins Gamonal, que completará 25 anos de magistratura à frente da Vara de Família, Sucessões e Precatórias Criminais da Comarca de Barbacena.

 

História

A história desse grande magistrado tem início no ano de 1983, quando decide iniciar o curso de Direito na Faculdade Viana Júnior, em Juiz de Fora. Acadêmico do curso de Engenharia da UFJF e proprietário da construtora PIRAMIDE CONSTRUÇÕES LTDA, Joaquim Martins Gamonal sentiu a necessidade de melhor aprimorar-se na área de pessoal e contratos.

No desenvolver dos estudos, o então acadêmico de Direito viu uma grande oportunidade de ajudar a construir um mundo melhor, o que nos levaria mais próximo à justiça dos homens, que, mesmo ainda longe da JUSTIÇA DE DEUS, é o caminho a seguir para lá chegar.

Após a formação acadêmica em Direito, Dr. Gamonal continuou com as atividades na construção civil, e, também, no comércio de materiais de construção. Todavia, com o passar dos meses, foi notando uma tendência para o exercício da advocacia, o que o levou a iniciar um trabalho no escritório do Dr José de Castro Ferreira, uma dos melhores advogados que conheci (destaca o magistrado). Lá eles fundaram a AMPEJUF – Associação dos micros e pequenos empresários de Juiz de Fora, onde exerceu por quase 8 anos essa brilhante profissão que é a advocacia.

 

PODER JUDICIÁRIO E CIDADE DAS ROSAS

 Quais são os maiores espinhos que entrelaçam a vida da sociedade e a busca por justiça?

O egoísmo e o orgulho, duas chagas da humanidade. Não só em Barbacena, mas no mundo. Aqui, propriamente, as dificuldades partem ainda da desestrutura dos poderes públicos, muito ainda com serviços mal prestados ao público. Nossa cidade, em especial, sofre com as questões políticas e sociais, nem sempre unidas como seria de se esperar, com altos índices de desemprego, desigualdade social gritante, bairros abandonados, prestação de serviços na área de saúde ainda com necessidade de inúmeras melhorias.

 

O que a família precisa compreender como “melhor interesse da criança”?

Não só a família, mas a sociedade e os poderes públicos precisam colocar em prática o melhor interesse da criança, que é ser criada em um ambiente sadio, com alimentação adequada, escolas com professores bem remunerados, prestação capacitada e rápida de serviços na área de saúde, e, principalmente, ao lado de tudo isso, os exemplos, os bons exemplos que devem ser dados pelos pais, pela família extensa e pela sociedade, todos ainda carentes de entender que uma criança bem cuidada deve ser tratada como prioridade absoluta, e, nisso, compreende-se a necessidade de tornarmos “menos natural o uso do álcool”, esse, sim, o grande vilão da vida em sociedade, da família.

 

“É num primeiro gole, aparentemente inocente, que se inicia a trajetória lenta para o alcoolismo, doença que mais mata no mundo. Assim como numa primeira e pequena faísca se inicia um grande incêndio, é num primeiro “copinho” que se inicia a derrocada com os vícios da dependência química. Fantasiada de bebida elegante, comum na vida de todos, é na verdade o álcool o veneno feroz que mata sonhos, expectativas e, consequentemente, famílias, sociedades. “ 

 

 

 

FRASES DO GAMONAL

“A audiência não pode ser como um perfume, que você passa e em questão de horas o aroma sai”.

São a oportunidade segura de se restabelecer diálogos, criar novos hábitos a partir de novos paradigmas. Muito importante o respeito ao outro, o fazer ao outro o que gostaríamos nos fosse feito, como ensinou o mestre, modelo e guia Jesus. Muito importante a compreensão da família como o palco para nossa melhor apresentação enquanto discípulos do Cristo. Palco redentor, que, a cada peça – existência carnal – nos permite uma nova oportunidade de sermos melhores que nós mesmos, melhores que na peça anterior. Assim pensando, é na família, que encontramos as melhores oportunidades, seja com as facilidades trazidas pelo apoio dos pais, dos filhos, dos irmãos, seja pelas dificuldades dos relacionamentos com muitos desses. É então, na família, a oportunidade para corrigirmos rumos, apararmos arestas, encontrarmos a estrada que Deus nos mostra através das sinalizações e exemplos cristãos.

Em nossas audiências, acordos são feitos, promessas são catalogadas, mas costumam ter curta duração, tragados pelos vícios materiais e morais, principalmente o álcool, o egoísmo, o orgulho, a falta de indulgência e do perdão. Mas família – e as audiências da vara de família – não podem ser como os perfumes, que duram pouco. Tem que ser como Jesus, que, uma vez vindo a nós, nunca mais saiu de nosso coração.

 

Defina o melhor interesse da criança.

 

São muitos, de diversas vertentes.

Mas um me apontou a importância do diálogo entre pais e filhos no sentido do verdadeiro papel dos pais. O de elevar o espírito de seus filhos através dos bons exemplos. Essa grande tarefa que é a paternidade é a melhor oportunidade para os genitores se elevarem espiritualmente, cumprirem seus papéis de colaboradores de Jesus na implantação, na Terra, do Reino de Deus.

Pai tem que ser como um bom motorista, que imprime a velocidade ao carro, freia no momento necessário, desvia dos buracos e guia para fazer as curvas necessárias para se chegar ao destino. E zela pelo bom funcionamento do veículo, dando a ele os cuidados necessários. Assim é com nossos filhos, a quem devemos colocar em marcha para seu crescimento, não deixar ir a lugares indevidos, mostrar os perigos das curvas e crateras da existência material, indicar o caminho com boa direção. E cuidar deles, principalmente com nossos melhores exemplos.

Certa vez, um pai, médico, que pagava altíssima pensão, pediu a exoneração da obrigação alimentar, pois a filha, já com 26 anos, ainda estava no 5º período de Medicina, curso no qual já estava desde 20 anos de idade. Na conversa, ele disse que a pensão estava fazendo mal a ela, pois com a alta soma (cerca de 06 salários mínimos), ela só pensavam em festas e roupas caras, esquecendo-se dos estudos. Choraram, se acusaram, mas então pedi que todos saíssem da sala, e que só os dois lá permanecessem, se possível, dando-se o abraço ausente há anos.

Meia hora depois, os dois estavam sentados lado a lado, abraçados, e o acordo foi feito. AUMENTARAM A PENSÃO, mas o pai é que pagaria diretamente todas as despesas maiores, dando à filha um valor menor em dinheiro, e, tudo vinculado à aprovação em todas as matérias, e, ainda, visitas quinzenais da filha ao pai, no Rio de Janeiro, e dele à ela, em Juiz de Fora.

Vale dizer que eles não se viam há 2 anos, fruto das desavenças do pai com a mãe.

Passaram-se cerca de de 3 anos, e, num sábado, em Juiz de Fora, fui abordado por um homem, que me agradeceu: ele estava lá para a formatura da filha em Medicina, que, após a audiência, enveredou-se pelos estudos, abandonou a vida de baladas, e, então, uma médica aos 29 anos de idade. Consequência do diálogo, dos cuidados, do afeto exercido com regularidade e respeito, da direção segura, da paternidade responsável.

Vinte e cinco anos de magistratura e uma grande contribuição para nossa sociedade.

O que o Doutor diria para quem está cursando o Direito hoje, como incentivo para chegar à carreira da magistratura?

Barbacena é um local muito bom, mas pode ser ótimo. Isso depende de cada um de nós, não somente de nossos governantes. Estou a completar 60 anos de idade, 25 anos de magistratura, 25 anos de BQ -  Barbacena querida.

Magistratura é dedicação, é gostar do que faz, tem que ser assim, senão é um martírio para quem a exerce. Faça aquilo que gosta e não precisará trabalhar nunca mais. Eu não trabalho, eu exerço o que gosto. Faço com “gôsto”, porque “gósto” do que faço. São 12 horas diárias fazendo o que gosto, e 12 outras com minha família, no vai e vem do dia, uns chegando, outros saindo, mas, sempre juntos, ainda que fisicamente separados.

Para os quem querem ser juízes pelo salário, cuidado. Importante é fazer o que gosta. Senão, vira obrigação, martírio. Para ser juiz é fácil: estudar muito, muito, e ainda muito mais. Para ser um bom juiz, com qualidade de vida, tem que fazer por amor.

Magistratura é a oportunidade divina de ajudar a melhorar a vida de nossos semelhantes. É “ter o poder de fazer mais do que é obrigado a fazer”. É ter a sensibilidade para verificar as necessidades dos demais e ajuda-los a suavizá-los, com decisões legais, mas, antes, justas. É ter a oportunidade de ajudar na construção de um mundo melhor. É, também, uma responsabilidade enorme perante Deus e à sua própria consciência, com essa maravilhosa missão de ser um discípulo do Cristo, um aprendiz na arte de dar a cada um o que tem direito, o que precisa.

 

Dr. Joaquim Martins Gamonal comemora seu aniversário na data de 17/11/2020.

Dr. Gamonal completará vinte e cinco anos de magistratura frente à Vara de Família da Comarca de Barbacena. Em sua nobre missão como juiz de Direito, ele ressalta pontos importantes sobre o princípio constitucional do melhor interesse da criança.

O jornal Folha de Barbacena deseja ao magistrado um feliz aniversário.

 

 

Agradecimentos

 

Rosana Daniela (fotógrafa da coluna O Direito é Família)

“Todas as fotos da entrevista estão disponíveis no instagram da fotgrafa Rosana Daniela @mrgfotografia

 

Fábio Castelo (editor de imagens da coluna O Direito é Família do canal no youtube da Dra. Luciana Limoeiro) @fabiocastelooficial

“Em breve você poderá acompanhar a entrevista na íntegra, disponível no canal da Dra. Luciana Limoeiro no youtube”.

Link de acesso: https://www.youtube.com/channel/UCBTpeL-D-vuX9cK9LFTeBGw

 

Denise Carvalho ( artesã que confeccionou o bonequinho Gamonal) @denisecarvalho.357

DIREITO É FAMÍLIA
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Dra. Luciana Campos Limoeiro é graduada na Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC), pós-graduanda em Direito de Família, com atuações voltadas para a positivação do dever alimentar, guarda, alienação parental e divórcio.

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