Bota de Ouro

25/05/2020 07:43:00 - Atualizado em 25/05/2020 07:48:13

 

A Bota de Ouro

 

O começo - Foi no ano de 1880, que o jovem italiano Jeremias Paolucci, recém-chegado da Itália abriu uma pequena oficina de sapateiro em Barbacena, onde empregou todo o seu talento de artesão na confecção de calçados, cuja banca e ferramentas estão expostas no Museu Municipal. A pequena oficina instalada à rua XV de novembro, dez anos mais tarde, conforme anúncio publicado em 25 de setembro de 1890, no jornal “O Popular” já mostrava vigor e além dos consertos de praxe, já vendia calçados nacionais e até mesmo os importados para uma clientela seletiva e atenta ao modismo da época.  Jeremias atuou por 41 anos à frente do empreendimento. Em 1921 passou a loja para o filho, Orozimbo Paolucci, um habilidoso artesão, que havia dedicado ao ofício do pai.

 

A visão comercial - À frente do empreendimento, Orozimbo deu continuidade ao trabalho do pai, valorizando os clientes e buscando novas alternativas para o crescimento do negócio. Os anos 20, num pós-guerra, o comércio de importados decresceu e havia dificuldades para financiamento para o segmento do comércio. Dotado de uma visão empresarial baseado em informações, possivelmente de seus patrícios em São Paulo, Orozimbo criou um consórcio, denominado o Clube do Sapateiro, através do qual os clientes podiam adquirir suas mercadorias em dez pagamentos sem acréscimo. Contudo, o grande impulso aconteceu na Revolução de 30, quando ele trocou a confecção de sapatos pelo conserto de botas da tropa alojada no colégio Militar, ponto de referência em Minas Gerais da revolução. Com essa atividade, conseguiu remodelar a loja e mais tarde transferiu para o atual endereço à Praça dos Andradas.  Orozimbo Paolucci esteve à frente do empreendimento por 42 anos. Ao aposentar-se, em 1960, a loja foi entregue a quatro de seus sete filhos: Orozimbo (conhecido como Bimba), Léa Paolucci Cascapera, Edson e Itamar Campos Paolucci.

 

A Terceira Geração - Três anos após e com uma visão diferenciada dos irmãos, Itamar adquiriu as cotas dos irmãos, trouxe a esposa para a sociedade, Elizabeth Picinin Paolucci e estabeleceu cotas para os filhos: Valéria, Andréa, Ítalo e Luciana.  Empreendedor, Itamar continuou o caminho do avô e do pai, acrescentando doses de carisma pessoal, bons profissionais e um sistema de crédito, onde o cliente diz o quanto e como quer pagar.  A loja passou por grandes transformações: ganhou mais espaço, novas vitrines e cresceu mesmo passando pelas crises, que todos os brasileiros vivenciaram nos últimos quarenta anos.  Além dos sapatos, que deram nome e fama à loja, o direcionamento para o vestuário com grifes de nome e acessórios masculinos e femininos.  A receita do sucesso, Itamar diz que é muito simples: “Ser honesto com os clientes, vender qualidade e ser pontual na quitação dos compromissos financeiros e manter uma relação de valorização constante com os funcionários”. Um dos motivos de orgulho da família é manter funcionários por longos anos no estabelecimento.  Com uma filosofia moderna de treinamento, a loja funciona como uma família, onde todos são valorizados, mas também cobrados em eficiência e bom desempenho.  A preocupação de Itamar sempre foi a de buscar novidades, participando de feiras e ventos da moda, no que passou a contar com a atuação de Elizabeth e Valéria.

 

A quarta geração - Nos 130 anos da loja, em 2011, a empresa ganhou uma homenagem da Câmara Municipal, iniciativa do vereador Amarílio de Andrade e emissão de um selo Comemorativo.  O foco de Itamar ficou evidenciado na parceria com os filhos, onde seus conhecimentos complementam o vigor das filhas: Valéria, Luciana e Andréa e mais à distância o simpático Ítalo que forma a quarta geração. Sempre cordial, Itamar mantém o mesmo entusiasmo de quando começou e sempre diz: “o nosso maior patrimônio são nossos clientes”. Por longos anos atuaram na loja: a irmã Olga Paolucci Vidigal e o sobrinho Rogério Vidigal Paolucci -  “Grande Rogério”, meu querido amigo!  Há 10 anos, Itamar passou o bastão para a cordial Veléria Paolucci. Itamar, agora é o “Presidente Honorário” e ainda dará palpites para um novo renascer, aos 139 anos, pós pandemia.

O DIA SEGUINTE 

A pandemia pegou todos de surpresa e mostra que o modelo brasileiro de organização da sociedade, do Estado e da economia não vai bem. Temos uma rede de proteção social, mas insuficiente; uma sociedade brutalmente desigual. Há um enorme contingente de pessoas vivendo em situação de enorme vulnerabilidade e sem informações, pois a mídia que chega a tais contingentes é distorcida e perversa.  A política, mal nascida dos arranjos de 88 de viés parlamentarista, com governo presidencialista, dá margem de uma pulverização de partidos e a corrupção.  As   Agências, tidas como protetoras, trabalham contra o consumidor. E, o mais grave, os banqueiros e suas insaciáveis extorsões, paga mesmo de 1% e estão autorizados cobrar 8%, sem falar nas artimanhas de agiotagem.  

O governo é responsável pelo foco maior da desordem, gasta além do que o povo pode pagar. As soluções são a longo prazo. Calcula -se que perdemos 10 anos, (2010 a 2020), levaremos mais 10 anos para colocar o vagão nos trilhos, ou seja, só em 2030.  Há soluções no próprio seio do governo; “auditores fiscais” estão com estudos que mostram caminhos.

E os pequenos empresários das atividades cotidianas nas cidades, a exemplo, Barbacena: o restaurante, a casa de chocolate, a empresa de eventos, a loja de bombons, o locatário de imóveis comerciais, o salão de cabelereiro, o dono do bufê, a agência de turismo e os prestadores de serviços autônomos?  Reinventarem?   Sim, com novos paradigmas e negociações.  Para ganhar, vai ser preciso dividir os custos.

A oportunidade consiste em ir além de uma tentativa de simplesmente retomar a normalidade,  há cinco anos  sem  luz do farol de Brasília. Mesmo que o farol apague, pois, a economia estará destroçada, cada um terá que fazer sua parte.  Barbacena, sempre tão na vanguarda, que tal fazer um Comitê do “Dia Seguinte”, com a participação de entidades, poder legislativo e executivo e as diversas categorias envolvidas....

Aniversário

No dia 17 de maio de 2020, o comandante do Nono Batalhão de Polícia Militar, Tenente Coronel Sávio Geraldo Corsino Pires completou mais um aniversário!

Ao comandante desta operosa Unidade que muito orgulha a todos nós, barbacenenses, desejamos um FELIZ ANIVERSÁRIO e que sua vida pessoal e carreira sejam repletas de sucesso.

Idinando Borges
Idinando Borges

É o colunista social mais renomado da região. Idinando já atuou em diversas assessorias de comunicação, secretarias de Estado e assessorias políticas.

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