Antagonismo social

08/09/2020 08:20:00 - Atualizado em 08/09/2020 08:24:37

 

Por George Loez.

Sou! Apenas o eu e mais nada, e isto faz pensar, nesta imensidão do nada, onde encontro-me, deste tal ângulo de visão, o mundo parece menor, tenho uma invisibilidade notória! Não sou transparente, mas vago como um fantasma por onde passo.

Eu vejo todos e ninguém me vê, ou não sabem quem sou, nem ao menos se interessam, saltei para um universo paralelo, fui para o inverso, aonde as sacolas são fechadas, aqui são abertas, sou o contraditório.

A irracionalidade sobre a cobiça material trouxe-me uma companhia, é um mundo cão!

De tudo que foi descartado aqui é almejado, o mau cheiro não sinto mais, e se transformou inodoro, ficamos ambientados com que vivemos, o miasma aqui é perfume, entendi o reverso e o reciclo, e tudo volta para o mesmo lugar, no meio de tantos restos, eu somo um.

A solidão é a minha amiga imaginária, não responde e nem sorri, também não me incomoda mais.

Minhas vestes seguem um eterno modismo, maltrapilho; é minha marca de grife, e meu padrão se tornou um praxe, é o que está em voga, é o carimbo da classe em que eu me encontro, mesmo sem nenhuma classe.

Tenho tantos sinônimos; de vagabundo à desocupado, mendigo, sem teto, desabrigado que por fim já esqueci meu nome. Talvez seja o antônimo da sociedade!

A esmola é a paga do meu sustento, o meu salário é depositado em parcelas sem data nem hora marcada em minhas mãos pela benevolência da sobra.

Quando perguntam: a que fim levou a isto? Como se o fim fosse um começo! São tantas as perguntas que me perdi entre elas, enfim resta um não sei como resposta e só.

Não tenho teto por falta das paredes para sustentação, meu abrigo de concreto são as marquises, o restante das grandes construções, o cobertor se tornou uma casa, e um banco e minha cama, a verdadeira alquimia da necessidade, minha morada e improviso e provisório, sem numero para correspondência.

De início; criado, no meio, respeitado, e por fim, desprezado, como tudo aqui deste lado, eu sou a sobra, e do que sobra, sobra em mim a esperança, recolho do lixo para não me sentir um trapo e eu aos trapos recolho para não me sentir um lixo, vivo do contraditório, vendo o que não tem valor, sou o simplesmente o avesso.

Prazer! Sou o Antagonismo Social!

Do livro Escultor de Frazes - Uma Resposta para o mundo

Clube dos Literatos
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Marcelo Miranda
Agencia Qu4tro