Ansiedade na pandemia

20/03/2021 08:00:00

E hoje, mais de um ano, depois do primeiro caso de Coronavírus no mundo, parece que ainda estamos na estaca a zero.

Números de mortes crescendo, hospitais lotados, vacina atrasada...

Eu sou uma ansiosa nata. Nasci de oito meses, então vocês já podem perceber que eu não esperei nem pra nascer. E aí vem o danado do Coronavírus e faz a gente ser obrigado a desacelerar, obrigada a dar uma pausa. Imagina uma pessoa ansiosa ficar parada e confinada em casa? E com um agravante, sendo jornalista, precisando ler todos os dias as matérias de casos confirmados e mortes por COVID-19 para atualizar o meu trabalho. No começo não foi nada fácil e confesso que até hoje não é. É difícil ficar normal depois de ver uma notícia de alguma morte ou de alguém lutando pela vida isolada em um hospital. Pra mim não é só uma estatística ou números. Eu leio depoimentos de famílias, leio sobre a vida que a pessoa tinha antes de pegar o vírus. As vezes entro na matéria com tanta vontade, que saio pesada, saio triste e impotente. Dá vontade de gritar pro mundo “Gente, vocês não estão entendendo que se agirem normalmente muitas pessoas vão morrer?”. E isso me deixa mais ansiosa...

      No começo da pandemia eu me lembro muito bem de ler as notícias e começar a sentir falta de ar (um dos sintomas do Coronavírus), e precisar me acalmar pra continuar. Eu sabia que não estava com o vírus, mas como a nossa cabeça manda no corpo né? Meu coração chegava a palpitar, e batata: no outro dia eu sentia que minha garganta estava arranhando... No início do isolamento eu achei que não ia aguentar, mas como Deus é bom, aguentei e muito. O primeiro passo pra gente acalmar é conhecer os sinais da ansiedade e saber que se você respirar fundo e manter a calma os sintomas vão diminuindo. E esse autocontrole se dá até hoje. Tem horas que as notícias estão pesadas, tem hora que vem uma vontade de chorar quando você se coloca no lugar do outro, e aí é hora de você tomar uma água, ver um filme, ouvir uma música. E aconselho a vocês fazerem isso com as pessoas que moram na sua casa. Não deixem elas saberem de “tudo”. Poupem os pais, os avós, as crianças. Nossa missão é protegê-los e não encher a cabeça deles de informações tristes.

        Eu sei que a mídia está cheia de notícias ruins, talvez até um pouco sensacionalistas. Mas não duvidem do vírus, não duvidem do isolamento social para evitar mortes. Nós jornalistas, às vezes precisamos passar por cima dos nossos medos, precisamos passar por cima da nossa saúde mental para levar a informação até a população. Não é fácil ser ansiosa e amar a notícia atualizada, mas também não é fácil ocultar o misto de emoções que sentimos com as tragédias do mundo.

Mas de todo o mal, a ansiedade tem cura...

Fique em casa!

Thaís Abreu
Thaís Abreu

Formada em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), e Jornalismo, e pós-graduada em Administração e Marketing. Cursando atualmente pós- graduação em Coaching, Liderança e PNL. Começou sua carreira em 2006 estagiando no Jornal Folha de Negócios, cobrindo eventos e fazendo atendimentos publicitários. Em 2017 entrou para a Rádio Correio da Serra com uma participação em um programa. E em 2018 foi convidada a ter seu próprio programa. Ainda em 2018 uniu o seu programa da rádio com o Instagram e conquistou um público fiel que acompanha suas postagens, coberturas, entrevistas e seu dia a dia. Em 2019 foi convidada a ser colunista do site Folha de Barbacena , assinando coluna de entretenimento. Thaís Abreu, mais conhecida como Tatá, faz parte da grade da Rádio Barbacena. Diariamente participa e divide a bancada do programas “No Ar”, " Playlist Barbacena" e " Jornalismo em 30 Minutos". E aos sabados apresenta o" Playlist 94,7 FM".

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