Adeus céu azul

16/04/2021 12:12:00 - Atualizado em 16/04/2021 12:16:02

 

Por Otávio Henrique

 

Então, eu fui andar. 

Com meus passos lentos e medrosos,

levei minhas apressadas dúvidas para passear.

É bom sair da cidade. 

Ir procurar na natureza 

a fonte de toda beleza, 

que faz com que todas as cores 

se misturem com facilidade. 

 

Apontei para o intocável. 

Olhando o turquês do céu, 

o desejo de assaltar seu azul 

se tornou palpável. 

É bom olhar para cima. 

Implorar afago ao reino do sol 

como um peixe busca no anzol, 

algo que alimente sua estima. 

 

Eu mordi. 

A manivela me alçou ao vento 

e finalmente, pude subir. 

É inumano a sensação de flutuar. 

Sentir a riqueza da matéria 

se diluir numa confortável miséria, 

quando seu corpo dissolve ao ar. 

 

Meus olhos se deliciavam. 

Vi os horizontes que, 

do chão, 

meu olhos limitavam. 

Do céu, me tornei inquilino. 

Vi o contraste dos homens 

profanar contra o divino, 

como escultores violentando estátuas

que eles mesmo modelavam. 

 

No meio da paz eu lembrei da guerra.

Desci do céu de maneira não tão brusca.

Com tamanho brilho no peito, que nada ofusca.

Lembrei dos homens que se mataram na terra, fazendo do azul do céu 

uma cega busca.

Intangível, 

insensível 

e impossível.

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