A Mentira

04/06/2021 15:41:00 - Atualizado em 04/06/2021 16:04:33

 

Por George Loez

 

Me apresento como quero, tenho este poder, só existe algo que me contradiz e não gosto de pronunciar, mas se preciso for...

De concreto, nada sei!

E assim sigo meus dias, discordando para ter razão, sem saber o real significado disso.

Eu não tenho certeza de nada, finjo ter e ser.

Minha metamorfose é necessária para a sobrevivência.

Não vou longe, meu percurso é limitado, não consigo ir muito além.

Tenho pernas curtas.

O que ouço vou compartilhando; com a total segurança dos fatos distorcidos.

Apenas uma versão plausível, à que invento!

A demonstração do saber é enganosa, podemos ser o que a boca diz, e assim mesmo o retrato como apareço, todos já ouviram falar e já conviveram comigo, sou uma ferramenta para muitos fins.

Minha aparência é descritiva, vivo das teorias bem elaboradas.

O que sei do homem?

Ele é o seu próprio espelho, sobrevivo da mais pura conveniência.

Sou imutável, continuo a mesma em qualquer tempo, só tenho aparência adquirida, sou invisível sem as vestes que uso.

Prefiro as histórias, ao invés das experiências reais.

Esta é a minha arma, a que eu uso para dar ascensão de um conhecimento próprio!

A realidade me torna obscura, por isso evito, ou talvez por medo da extinção.

Sou a mestre das discórdias e da falsa segurança alheia.

Criei minha própria classificação de poder, estou no topo, fui posta lá, destrutiva vou sobressaindo sem que me preocupe com nada ou ninguém.

Sou soberba, tenho uma certa soberania por conta da arrogância que crio.

Parasitária, preciso de um generoso hospedeiro, pois

habito e alimento da vaidade humana.

Sempre deixo a conta!

Muitas pessoas pagam pelo que consumo.

Eu tenho a cela, sou a dona do presídio onde são trancafiados todos os devotados

A verdade é a chave!

E eu a tranca!

Necessito da boa fé.

Eu sou conhecida como a mentira, à síntese da hipocrisia, inverto papéis, no meu reinado fiz do homem meu fiel servo, pago muito bem com a moeda da mediocridade.

Sou a filha bastarda, e ele o pai, vivemos juntos desde o momento que ele me criou.

 

(Do meu livro: O ESCULTOR DE FRASES)

 (Uma Resposta para o Mundo)

(Autor: George Loez)

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