A caminhada

01/04/2021 11:12:00 - Atualizado em 01/04/2021 11:19:57

 

Por Gian Henriques

Numa velha estrada, havia um homem que caminhava.

Seguia dessa forma a tanto tempo, que nem mesmo se lembrava quando começou e aonde estava indo, mas mesmo assim, seguia com sua caminhada.

Ao seu lado havia um ser misterioso, não era homem, não era mulher, nem mesmo caminhava, mas o acompanhava.

O sol se punha, a noite vinha, e o ciclo se repetia, enquanto o homem caminhava.

O homem olhou para o lado, e viu uma cidade humilde, crianças descalças e de roupas rasgadas brincavam

Homens sujos de poeira e lama trabalhavam, e mulheres pediam por uma esmola na beira das calçadas, e o homem, cabisbaixo, caminhava.

Então o ser misterioso em seu ouvido pronunciou palavras de conforto, que o homem não escutou, mas caminhando continuou.

Novamente se aventurou a olhar para o lado, e viu uma fazenda enorme. Cavalos belos trotavam, um casal de crianças brincava ao pé de uma árvore,

homens colhiam o plantio e tratavam dos animais, e da porta da fazenda, uma linda moça sorria e acenava ao homem que caminhava de ânimo renovado.

E novamente o ser misterioso em seu ouvido soprou, dizendo para não se iludir com riquezas e aparências, e outra vez, sem o ouvir, caminhou.

Então seus pés começaram a doer, e ao olhar para o chão viu que espinhos enormes cresciam do chão e seus pés perfurados sangravam.

Eis que o ser misterioso lhe estende algo, que lhe pareceu uma mão, e ajudou a passar pelo solo espinhento aliviando sua dor.

Sem entender como foi possível, percebeu que o caminho de espinhos acabou, e olhando aos pés percebeu a ausência das feridas, pois caminhando continuou.

Chegou a um solo gramado, extremamente agradável, e a caminhada se tornou ainda mais prazerosa, os pés aliviou.

Soprando em seu ouvido, o ser misterioso falou: agradeça ao solo que tens pois um dia lhe faltou e um dia pode lhe faltar novamente.

E dessa vez, nervoso respondeu, pedindo ao ser misterioso que lhe deixasse, pois estava a muito o atrapalhando a caminhar.

Mas como previsto pelo ser, o solo mudou, agora em terreno arenoso extremamente quente, com frequentes tempestades de areia, a velocidade da caminhada baixou.

Ferido nos pés e na pele, diante do calor e do atrito da areia, o homem chorou, suplicando por socorro para atravessar o deserto.

Eis que o ser misterioso retorna, e tocando os ombros do homem lhe fala: Levanta-te e caminha, e confia a mim a sua segurança.

O homem se refez, levantou-se e caminhou, a areia e o calor a castigar, o homem agora caminhou com toda dificuldade, mas com determinação.

E tão logo a tempestade de areia cedeu, o homem olhou e a sua frente o ser misterioso caminhava, com uma barreira quase visível que a todo calor e areia barrava.

O sol se punha, a noite vinha, e o ciclo se repetia, enquanto o homem caminhava por terrenos hostis e terrenos amistosos, e o ser misterioso o acompanhava.

O homem então perguntou: Porque me acompanha e ajuda, mesmo quando não lhe peço, até mesmo sem lhe agradecer?

E o ser misterioso respondeu: Porque a cada passo que avanças, mais próximo você fica de nossa casa, onde te aguardo com amor.

Por isso te peço, feche seus olhos e confie, mas não se esqueça dos caminhos por onde passou e da caminhada que começou.

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