Protocolos locais, vacina e pico da pandemia em Barbacena: Infectologista Herbert Fernandes no P10

31/07/2020 11:55:00 - Atualizado em 31/07/2020 11:57:22

 

O programa Papo 10 recebeu ontem (30/07), o médico infectologista Dr. Herbert Fernandes. Ele está na linha de frente no combate à COVID-19, fazendo parte da equipe da Sesap no enfrentamento a pandemia em Barbacena. O médico esclareceu sobre os trabalhos e protocolos utilizados no Município e a situação da pandemia a nível local.

Quanto a medicação, Herbert falou sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina. Ele ressaltou que a medicação foi comprada pelo município, pois ela apresentou-se como uma potencial droga para neutralizar o vírus nas primeiras fases dos estudos de laboratório, no entanto, na medida que os testes avançaram, ela não se mostrou eficiente. "A fase três em pessoas, infelizmente, porque a gente queria muito que uma medicação de fácil [acesso] pudesse erradicar de forma mais suficiente o vírus, não mostra eficácia. tanto a hidroxicloroquina quanto a cloroquina quando a gente faz esse estudo da farinha (placebo) e da cloroquina a gente faz análise estática e vê que não existe diferença", afirmou o médico.

Dexametasona

No entanto, o infectologista revelou que em Barbacena utiliza-se outro medicamento, que tem mostrado resultados positivos. "Como os estudos estão caminhando, hoje a gente já sabe que tem medicações que funcionam, como por exemplo, uma medicação que é barata também, muito conhecida em nosso meio, um corticoide, que chama dexametasona. Um grande estudo foi publicado na Inglaterra que mostrou a diferença de usar a dexametasona e usar placebo. Mostrou que aquele paciente que precisa de oxigênio, que vai internar, que precisa de ir para o hospital, usar a dexametasona diminui a chance de morrer. Então mostra beneficio e a gente tem utilizado sim", pontuou.

Vacina

Quanto a vacina, Herbert ressaltou que está sendo produzida em tempo recorde, já que uma vacina demora em média cinco anos de estudo. Ainda de acordo com o médico, os estudos estão sendo muito promissores e que a expectativa é que tenhamos uma vacina em caráter emergencial no final deste ano. Herbert também comentou sobre quando a vacina chegar em Barbacena e a sua distribuição."A questão não é se Barbacena vai estar preparada, mas a maioria das vacinas geralmente segue um programa nacional de vacinação. Essas vacinas são distribuídas pelo Ministério da Saúde, para os estados e consequentemente os estados fazem a distribuição para os municípios. Sem dúvida essa vacina não será amplamente distribuída inicialmente. Provavelmente ela será por prioridade", destacou.

Estabilidade

Dr. Herbert lembrou que o vírus se comportará de forma diferente em determinadas regiões, devido a dimensão territorial do país e do estado e suas especificidades. Quanto a pandemia em Barbacena, o infectologista ressaltou que Barbacena está em uma fase de estabilidade da curva epidemiológica.  "Na verdade pelos dados epidemiológicos que a gente tem acompanhado, Barbacena está em um *platô dentro das nossas previsões. A gente já teve uma escalada de aumento de número de casos e que esses casos tem geralmente variados entre oito, dez casos, geralmente está em torno disso. Nesta situação que estamos vivendo agora, francamente nós estaríamos em um *platô", concluiu o médico ressaltando que não houve a demanda destes casos no número de internações,o que reflete em um grau de letalidade baixo.

Confira a entrevista completa:

 

 

 

* Onde se lê Platô, o entrevistado posteriormente considerou a palavra estabilidade mais apropriada para a definição da situação que Barbacena vive em relação à COVID-19.


Marcelo Miranda
Agencia Qu4tro