Em Barbacena, enfermeiros ficam sem água até para tomar banho

22/05/2020 13:28:00 - Atualizado em 22/05/2020 13:42:17

 

Trabalhar horas na linha de frente ao combate da COVID-19, encerrar o expediente, chegar em casa e não ter água para tomar banho ou, pelo menos, lavar as mãos. Esta é a rotina de uma enfermeira, residente no bairro Santa Cecília, em Barbacena, e que desde domingo (17/05) não vê a água chegar em sua casa.

“Tem sido uma situação muito complicada. Trabalhamos o dia todo tomando todos os cuidados para não nos contaminar e também não contaminar outras pessoas. Quando chegamos em casa, precisamos higienizar mão, corpo, roupas, e sem água fica impossível. Já são cinco dias sem cair uma gota na caixa d’água. A gente é obrigado a buscar ajuda com algum colega ou amigo, mas sempre há o receio de estar levando algo [Coronavírus], afinal, a gente encara essa doença todos os dias.”, falou a enfermeira, que não quis ter a identidade revelada, à Folha de Barbacena (FB).

Desde o último domingo (17/05), moradores do bairro Santa Cecília, São Cristóvão, Monte Mário, Eucisa, Santa Tereza e adjacências têm procurado a FB e, também, utilizado as redes sociais para relatar a falta de água. São famílias com pessoas idosas, crianças pequenas e, também, profissionais dos serviços essenciais, aqueles que não pararam por causa da pandemia, e que não puderam aderir ao isolamento social.

Em contato com o Serviço de Água e Saneamento (SAS), na última terça-feira (19/05), a autarquia informou, por telefone, à FB, que não havia sido constatado nenhum problema técnico e que estava buscando uma solução para o caso. Na quarta-feira (20/05), um grande número de moradores dos bairros Monte Mário e Eucisa também procuraram a FB, relatando o mesmo problema. Consultado novamente pela nossa redação, o SAS deu a mesma justificativa “de que não existia problema técnico e que todos os funcionários estavam nas ruas, procurando solucionar o problema.”.

Uma das alternativas que o SAS deu aos seus clientes era a solicitação do caminhão pipa, no entanto, a FB recebeu reclamações de pessoas que solicitaram o serviço e não foram atendidas, como foi o caso de uma moradora do Santa Cecília, que afirmou à FB que havia feito o pedido do caminhão pipa na terça-feira (19/05) e que até a noite de quinta-feira (21/05) não havia sido atendida.

Outro morador, do Monte Mário, disse que também fez a solicitação do caminhão: “pedimos o caminhão na noite de quarta (20/05), esperamos a quinta-feira todinha, e nada! A última informação do SAS, era que o caminhão já estava no meu bairro, e isso foi às 16h mais ou menos.”.

“Eu não estou falando só de agora não, agora é pior por causa dessa situação que a gente está vivendo [pandemia]. Mas na realidade, a gente está com este problema desde o final de 2018. Não sei o que foi que aconteceu com o SAS, que desde 2018 isso vem acontecendo, e assim, é rotineiro, né? De dois em dois meses, tem lugar aí que de mês em mês ‘tá’ acontecendo isso. E a gente só fica sabendo quando vai abrir a torneira e não cai uma gota d’água.”, relatou uma advogada, moradora do Santa Cecília.

Moradoras do bairro Eucisa também reclamaram da situação, reforçando que a falta de água é constante. "A água não tem caído constantemente, ainda mais em plena época de pandemia, quando devemos tomar todo cuidado com higiene. Pedimos às autoridades que tomem as devidas providências", falou uma moradora da rua José Bertoletti.

Em Nota, o SAS e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Barbacena (PMB) informaram que "O Serviço de Água e Saneamento (SAS) informa que registrou um problema no buster, equipamento que bombeia a água para a parte alta do bairro Monte Mário, por isto o reservatório do Savassi zerou, fazendo com que a parte alta do bairro registrasse falta d’água. Mas o problema já foi resolvido e o abastecimento está sendo normalizado gradativamente."

Sobre a demora do caminhão pipa, a Assessoria do Gabinete da Direção Geral do SAS informou que “O SAS tem um acompanhamento das demandas de falta de água que funciona da seguinte maneira:

Assim que a atendente recebe uma reclamação de falta de água, imediatamente é repassado ao setor responsável. No caso em tela, todas as reclamações de falta de água que recebemos foram de pronto atendidas.

Além do mais temos um grupo de acompanhamento, um boletim diário expedido a cada 3 horas, informando a quantidade e os locais que fizeram referidas reclamações.

Esse boletim é acompanhado inclusive pelo próprio Diretor Geral.

Então como as demandas eram atendidas de pronto, dificilmente teríamos um morador esperando por mais de 29 horas.”.


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