Cultura em Pedaços

18/10/2020 08:00:00

 

Nos últimos dias, uma imagem do Museu Municipal de Barbacena está rodando a internet e causando agitação entre os moradores devido ao descaso com o patrimônio cultural municipal.

Na imagem é possível ver a falta de cuidado com o letreiro do Museu Municipal, localizado no Centro de Barbacena. Outro ponto da cidade de extrema relevância artística e que se encontra com a fachada em péssimo estado, é a Casa da Cultura, também no Centro de Barbacena, que é sede da Biblioteca Municipal Honório Armond, fundada em 1882, e da Academia Barbacenense de Letras (ABL).

A Cidade das Rosas, em junho deste ano, foi classificada em 32º lugar do ICMS Patrimônio Cultural da região do Campo das Vertentes, ocupando a 652º posição na escala de Minas Gerais que contém 814 cidades avaliadas. Em 2019, Barbacena teve uma das piores notas no ICMS Cultural, alcançando apenas 2,83 pontos. Ainda em 2019, a cidade ficou fora da lista de municípios mineiros habilitados no programa ICMS Turismo da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult).

Às cidades com a classificação mais elevada no ICMS Cultural, o Governo do Estado de Minas Gerais irá repassar recursos financeiros ao longo de 2021. Para recebimento dos recursos conforme os critérios da Lei Robin Hood, o município deve construir e colocar em prática, com a participação da comunidade e dos Conselhos de Patrimônio Cultural, sua política municipal de proteção ao patrimônio cultural, trabalhando para que ela se efetive como política pública.

“Barbacena tem cerca de 100 patrimônios tombados ou registrados, material e imaterial. Tem que haver uma política pública para conservar e proteger esses bens”, afirma o arquiteto e urbanista Sérgio Ayres, membro do Conselho do Patrimônio Histórico de Barbacena. De acordo com ele, o ideal seria uma parceria entre a sociedade civil e o poder público.

Sérgio também destaca que a recuperação de imóveis não é a única coisa importante. “Temos que fomentar cultura popular, investir em projetos, valorizar os saberes e fazeres. Imóvel é apenas uma parte da cultura”, conta, sugerindo a realização da abertura de editais, financiamento de artistas, entre outros meios para promover a cultura na cidade.

A Prefeitura Municipal de Barbacena foi contatada pela redação da Folha de Barbacena (FB), mas, até o momento da publicação desta matéria, não havia se posicionado a respeito da foto do Museu Municipal que circula pela internet e nem sobre as questões envolvendo a preservação do patrimônio cultural da cidade.

Estação Ferroviária

Enquanto o Museu Municipal e a Casa de Cultura aguardam, a segunda fase das obras de revitalização da Estação Ferroviária de Barbacena já está em andamento. O bem, tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico Municipal (COMPHA), é um dos imóveis mais importantes do estilo ferroviário na Zona da Mata mineira.

A primeira fase foi iniciada pelo grupo Rotunda, através da recuperação de parte das instalações na plataforma e também da realização de diversas atividades culturais no local nos últimos anos.

Em 2019, após a ação do Ministério Público, a Associação Regional de Proteção Ambiental (ARPA) financiou e acompanhou as obras de recuperação do torreão e do telhado da parte central, onde havia a maior parte das infiltrações.

Atualmente, as fachadas do imóvel estão sendo recuperadas, dando início pela fachada frontal. Os recursos dessa fase também partiram da ARPA e a Prefeitura Municipal de Barbacena disponibilizou uma equipe permanente para a sua realização.

A terceira e última fase do projeto recuperará a parte interna do imóvel, com pintura, pequenos reparos e também a recomposição da parte hidráulica e elétrica. O arquiteto Sérgio Ayres, um dos voluntários responsáveis pela revitalização e também membro da ARPA e do COMPHA, afirma que será preciso a realização de uma campanha de arrecadação de recursos para a finalização do projeto.

Participando do trabalho também estão a Associação Regional de Proteção Ambiental (ARPA), Prefeitura Municipal de Barbacena, Rotunda, Ministério Público (3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Barbacena) e o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico (COMPHA).

 

Foto: Redes Sociais.


Livro Rossi
Agencia Qu4tro