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Barbacenense relata sete anos de relacionamento abusivo

“Ele me disse que eu ‘parecia uma puta com esse batom!’”

Barbacenense relata sete anos de relacionamento abusivo
Situações como essa podem ser mais comuns do que se parece. Denuncie. Foto: Divulgação.

“Com cinco meses de namoro eu cheguei um dia na casa do meu namorado e estava com pouca maquiagem e um batom vermelho, normal, mas, ele virou a mão em meu rosto dizendo que ‘parecia uma puta com esse batom’. Caí no chão do quarto e meu lábio teve um corte… E ele insistia: ‘isso chama a atenção de homens… Só acho que deveria evitar, por nós.’ E eu pensei… ‘Ah, posso abrir mão disso por ele, ele é tão bom. Só está zelando por mim!’ ”.

Com essas palavras uma mulher que pediu para não ser identificada concedeu um relato de sete anos de violência física e psicológica sofridas em um relacionamento abusivo. Depois de muita dificuldade a vítima contou que conseguiu apoio dos amigos e familiares e denunciou o parceiro.

Situações como essa podem ser mais comuns do que se parece, conforme relata a mulher: “agressões não são somente físicas. Existem também as violências patrimoniais, morais, sexuais, psicológicas… Em relações abusivas, o abusador normalmente é uma pessoa manipuladora, controladora, ciumenta em excesso, insistente e muitas vezes se mostra extremamente envolvente e carinhoso, de forma que quando a violência sutil começa, a pessoa já está envolvida”.

O relato de uma vítima que sobreviveu a anos de um relacionamento abusivo é mais um entre tantas histórias de dor e inclusive de mortes, motivadas por relações tóxicas. Na primeira metade do ano passado, o Ministério dos Direitos Humanos recebeu 73 mil denúncias de violência contra a mulher, através do ligue 180.

O resultado superou o índice de denúncias feitas em 2006 (12 mil), quando a central começou a funcionar, contudo cresceu também o número de mortes por violência contra a mulher em Minas – 106 mulheres perderam a vida, só nos primeiros nove meses do ano passado. A Polícia Civil estima que uma mulher foi morta a cada três dias, em 2018, por feminicídio no Estado.

A situação preocupa autoridades como Flávia Murta, delegada da Polícia Civil, da Delegacia de Mulheres de Barbacena. Segundo Flávia, o último feminicídio registrado na cidade aconteceu em 2015, mas em 2018 quatro tentativas do crime foram registradas.

A delegada destaca que a denúncia é o melhor caminho a ser feito, para evitar situações ainda mais difíceis e evitar que histórias como de Jaciara Souza Nascimento, morta pelo ex-marido em Uberlândia (MG), ou de Michele Aparecida Medeiros, morta na frente dos filhos, em Lajinha (MG), pelo também companheiro, voltem a acontecer.

Legislação

                Sancionada por Dilma Roussef, em nove de março de 2015, a Lei 13.104 aborda a morte de mulheres por razões de gênero, tratando do assassinato onde a mulher é a vítima, por discriminação ou menosprezo à condição feminina ou por violência doméstica. O feminicídio passa a fazer parte dos crimes hediondos, o que determina punições mais duras pela justiça. A pena pode ser acrescida em um terço até a metade, quando o ato criminoso for praticado em período de gestação ou nos três meses pós-parto, contra menores de 14 anos ou maiores de 60 ou portadores de deficiência e se acontecer na diante de parente da vítima.

Por: Mike Tavares.

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