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A liberdade alheia à posse

 

Por George Loez

O mundo definitivamente não era daquele tamanho, da paisagem ao redor, aquelas listras não faziam parte do contexto, me incomodavam pois; criavam uma ideia de limitação, naquele espaço, eram poucas as possibilidades, a sobrevivência era precária, vinha de um desejo diferente ao meu. A crença de ser o suficiente era criada por uma mente alheia. Não me lembro de ter nascido naquele confinamento, outrora tinha visto um mundo muito maior, mas esta certeza estava se tornando vaga, a condição em que me encontrava era de certa forma aceitável pela incapacidade de qualquer possibilidade de fuga.
Não que estivesse isento de cuidados, mais existia uma ideia maior de posse do que de satisfação do outro, e este outro era eu, me sentia uma propriedade, até quando teria que viver me sujeitando àquele tipo de existência. Qual o meu erro? O que fiz para estar ali? Talvez não existisse algum motivo que me levasse Àquela situação, talvez minha natureza já estivesse fadada àquela única experiência pelo resto da vida.
E meu lamento parecia um riso, acreditavam em uma falsa demonstração de alegria, um pensamento totalmente deturpado sobre qualquer emoção que eu apresentasse. Eu estava tão próximo de tocar a imensidão, mas a passagem era demasiadamente curta, a exatidão da ínfima passagem era torturante, como era cruel ver aquele cálculo de espaço onde me mostrava a incapacidade de qualquer saída.
A apresentação da minha infortuna vida era acolhida com satisfação! Ser livre era uma utopia perto da realidade, e uma concepção longe de meu alcance, a certeza de que estavam me mantendo vivo, contrastava com a minha força por sobreviver.Um dia a benevolência bateu forte, foi um fortuito e forte sopro, o destino tinha se apiedado ou escutado meu pranto, veio então o vento como esperança, todo o conjunto foi abalado, parecia ter desprendido meu cárcere, e eu acreditei estar despencando para a morte, mas fui arremessado para a liberdade, a gaiola se partiu e eu voei, teria que aprender a viver só, mas a liberdade valia qualquer esforço! A mais feliz imagem foi ver meu carcereiro segurar minha prisão nas mãos parecendo lamentar a minha perda, mas neste momento eu já me encontrava longe demais de qualquer emoção alheia à minha vontade. A aceitação é verdadeiramente uma reclusão.

( George Loez/ livro: O Escultor de Frases)

 

Confira mais textos no clubedosliteratos.blogspot.com

 

Sobre o autor

Nascido em 1971,filho de funcionário publico e de uma costureira,um dentre três irmãos sempre teve desde criança um dom para desenhar e inventar histórias.

Um dia não sei ao certo qual foi em sua vida, no ano de 1990, após o falecimento do irmão mais novo,  com 18 anos de idade se alistou como soldado.

Nas aulas teóricas sobre armamentos,  sentindo entediado com o conteúdo da matéria, sentiu uma vontade de imensa de escrever,  começou então a escrever uma história sobre um pombo e um mendigo, depois complementou com outras histórias que foram surgindo durante os anos seguintes que davam uma bela continuidade, personagens ligados indiretamente ao habitat onde viviam, criando assim um conjunto de varias vidas interligadas por uma linha tênue quase invisível chamada destino imaginário.

Na sua cidade existe uma grande praça central, quando adolescente adorava ir aquela praça para observar as pessoas que ali estavam e também os pombos, era um bom passa tempo

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