• Centro de Acolhimento Terapêutico de Barbacena completa um mês

    25/06/2026

    O Centro de Acolhimento Terapêutico (CAT), em Barbacena completou no dia 21 de junho seu primeiro mês de funcionamento, nesta nova etapa no cuidado aos moradores da unidade, na transição da lógica hospitalar para uma proposta de acolhimento em ambiente residencial.

    De acordo com a gestão do CAT, os primeiros 30 dias foram marcados por um processo intenso de adaptação, tanto para os moradores quanto para os profissionais. Muitos vieram de uma rotina hospitalar de longa permanência e, agora, vivenciam uma nova dinâmica, em um espaço pensado para oferecer mais liberdade, acolhimento e sensação de pertencimento. “É um mês de muito sucesso, porque temos conseguido manter os cuidados dentro da proposta estabelecida inicialmente: socialização, cuidado humanizado e respeito à individualidade de cada morador”, avalia a coordenação da unidade.

    Segundo a equipe, o período também tem exigido reorganização e aprendizado contínuo. “Tem sido trabalhoso, porque é um serviço novo. Mas é um processo necessário e muito significativo. A casa ainda está se ajustando, e os moradores estão se ambientando cada dia mais”, completa.

    Da rotina hospitalar à rotina de casa

    Uma das principais mudanças percebidas pela equipe está na forma como os moradores passaram a se relacionar com o espaço. Atividades simples do cotidiano, como escolher onde fazer uma refeição, tomar sol pela manhã ou descansar ao ar livre no fim da tarde, passaram a ter um impacto importante na adaptação.

    Antes inseridos em um contexto hospitalar, os moradores agora convivem com elementos que aproximam a rotina do ambiente de uma casa. O espaço externo, o contato com o sol, o som dos pássaros e a possibilidade de circular com mais liberdade têm contribuído para esse novo momento. “A felicidade fica estampada no rosto deles. Quando conseguem ir para o sol pela manhã ou ouvir os pássaros no fim da tarde, é algo muito bonito de ver. Essa liberdade de não estar mais dentro de um hospital faz diferença, especialmente para quem viveu assim por tantos anos”, relata a coordenação.

    Autonomia possível e escolhas no cotidiano

    De acordo com a gestão, a equipe multiprofissional do CAT tem trabalhado diariamente para estimular a autonomia dos moradores dentro das possibilidades de cada um. Pequenas escolhas, antes inexistentes na rotina, passaram a fazer parte do cuidado.

    Um exemplo está na escolha das roupas. Mesmo quando o morador precisa de auxílio para banho, troca ou outras atividades, a equipe busca oferecer alternativas. “Antes, muitas vezes, era apenas o pijama hospitalar. Hoje, quando apresentamos duas opções de roupa e o morador aponta qual prefere, isso representa muito. É uma forma de escolha, de vontade e de participação”, explica a equipe.

    Esse cuidado também se estende às refeições. A nutricionista, em conjunto com profissionais da fonoaudiologia, fisioterapia e demais áreas assistenciais, trabalha para garantir variedade e adequação às necessidades de cada morador, inclusive nos casos em que a alimentação ocorre por sonda. O plano terapêutico individualizado tem sido uma ferramenta importante para respeitar as condições clínicas, as preferências e os objetivos de cuidado.

    Pertencimento como parte do tratamento

    Para a equipe, uma das maiores conquistas deste primeiro mês é perceber que os moradores começam a reconhecer o CAT como um espaço de pertencimento. A mudança de cultura, embora gradual, já mostra resultados visíveis no comportamento, na expressão e na interação dos moradores com os profissionais e com o ambiente.

    Durante a transição, a equipe acompanhou de perto as diferenças entre a vivência hospitalar e a nova rotina. Agora, com o passar dos dias, os sinais de adaptação se tornam mais evidentes. “Quando olhamos para esses 30 dias, percebemos avanços que talvez nem imaginássemos que seriam possíveis em tão pouco tempo. É uma mudança de cuidado, de ambiente e de olhar. O mais importante é que o cuidado permanece, mas agora dentro de uma proposta mais humanizada, social e acolhedora”, destaca a coordenação.

    A gestão do CAT é realizada em parceria entre o município e o Consórcio ICISMEP, sendo o INTS responsável pela operacionalização dos atendimentos e das ações desenvolvidas na unidade.

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