• Programa leite com café traz Luciano Alencar para falar sobre potencial da apicultura e os desafios do mercado de grãos em Barbacena

    21/05/2026

    A 57ª Expoagro de Barbacena não é apenas um espaço de festa, mas também um polo crucial para o debate sobre o desenvolvimento econômico e sustentável do meio rural. Diretamente dos estúdios montados no Parque de Exposições, o programa Leite com Café — uma parceria entre a rádio Estação Sertaneja e a Folha de Barbacena — recebeu o produtor rural Luciano Alencar. Em uma conversa descontraída e rica em informações, o especialista detalhou o panorama regional da apicultura e as peculiaridades da produção de grãos no Campo das Vertentes.

    Muito além da extração do mel para o consumo doméstico, Luciano Alencar destacou a apicultura sob o viés da agroecologia. Segundo o produtor, o principal papel das abelhas na natureza é a polinização, garantindo a perpetuação das plantas e a própria produção de sementes e frutos.

    No entanto, o impacto comercial da atividade tem ganhado cada vez mais força. A produção vai muito além do mel tradicional, englobando elementos de alto valor agregado:

    • Própolis Verde: Nossa região possui uma forte presença do alecrim-do-campo (popularmente conhecido como “vassoura”), planta a partir da qual as abelhas produzem a própolis verde. No mercado informal local, o quilo bruto chega a ser vendido por cerca de $100 dólares. Contudo, Luciano ressalta que, com a formalização e exportação, esse valor pode saltar para até $300 dólares o quilo.
    • Apitoxina: O veneno das abelhas, historicamente usado para tratamentos reumáticos, hoje tem sua aplicação médica expandida para diversas outras patologias como um poderoso remédio 100% natural.

    Apesar do enorme potencial, a apicultura no Campo das Vertentes ainda é tímida e predominantemente informal. Luciano apela para que os produtores busquem a regularização. Com a legislação atual e os serviços de inspeção municipal, é possível obter selos que autorizam a venda do produto legalizado em âmbito estadual e nacional, abrindo as portas para o mercado formal e para o cooperativismo.

    O Mercado de Grãos e a Geografia das Vertentes

    Ao migrar o foco para as culturas de soja e milho, a entrevista revelou como a topografia da região dita o ritmo e o tipo de produção agrícola.

    Luciano traçou uma linha geográfica clara a partir do Parque de Exposições de Barbacena:

    • Sentido Rio de Janeiro (Serra da Mantiqueira): O relevo acidentado impede a mecanização em larga escala. Por isso, essa faixa se destaca na horticultura, floricultura, fruticultura e bovinocultura.
    • Sentido Sul de Minas: A topografia mais plana e favorável permite o uso de maquinário agrícola, sendo o grande polo produtor de grãos e cereais da região (em distritos e entornos como Ponte Chiquinho e Padre Brito).

    Logística e a Lógica Inversa do Lucro

    Embora o Brasil tenha gigantes na produção de grãos, como o Mato Grosso e a região do MATOPIBA, o Campo das Vertentes encontra sua força em uma lógica estratégica. Por estarmos em uma grande bacia leiteira e de produção de aves, a demanda por proteína vegetal (ração de soja e milho) para alimentar esses animais é imensa.

    “Para trazer milho e soja lá do Mato Grosso, o custo do frete com o óleo diesel alto é proibitivo. Produzindo aqui, o frete é mínimo. O pequeno produtor de grãos local ajuda a alimentar os animais da região, criando uma cadeia produtiva onde um precisa do outro para produzir com qualidade e menor custo”, explicou Luciano.

    Confira a entrevista na íntegra:

    Esta matéria foi um oferecimento de: FAEMG/SENAR, aiqfome, Padaria Top do bairro São José.

  • Botão Voltar ao topo
    Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.