

UFMG pede desculpas por uso de cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena em suas atividades de ensino
09/04/2026
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou um documento de pedido público de desculpas à sociedade brasileira pela compra e uso de cadáveres vindos do Hospital Colônia de Barbacena entre as décadas de 1960 e 1980. A prática, utilizada para o ensino de anatomia, é reconhecida pela instituição como uma violação da memória e da dignidade humana. A declaração foi assinada no dia 18 de março, a então reitora Sandra Goulart Almeida
O episódio faz parte do chamado “Holocausto Brasileiro”, período em que mais de 60 mil pessoas morreram em manicômios de Minas Gerais devido a condições análogas a campos de concentração. De acordo com a universidade, o Hospital Colônia foi palco de uma das “mais cruéis violações de direitos humanos já praticadas no Brasil”.
Um levantamento da jornalista Daniela Arbex, citado no documento da UFMG, aponta que 1.853 corpos de pacientes foram comercializados para 17 instituições de ensino médico entre 1969 e 1981. A UFMG foi uma dessas instituições, destinando os cadáveres para a Faculdade de Medicina e para o Instituto de Ciências Biológicas (ICB).
“A Universidade reconhece que a compra de corpos e seu uso em atividades de ensino violaram a memória e a dignidade de pessoas que viveram e morreram em condições desumanas”, afirma o texto.
O texto enfatiza que, em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a UFMG “pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena”.
Desde 1999, a UFMG conta com um programa de doação de corpos para estudo de anatomia, que funciona de forma voluntária e consentida e é uma prática legal e ética, alinhada a padrões internacionais.
Além do pedido público de desculpas, outras ações no âmbito de ensino e de memória serão promovidas, em consonância com as recomendações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal. Também participaram das tratativas grupos da luta antimanicomial.
Confira o documento na íntegra



