• Epidemiologia da SRS Barbacena destaca o impacto do consumo de álcool no carnaval e outras festividades

    no ano de 2023, na região da SRS Barbacena, 64 pessoas foram a óbito, tendo como causa básica o alcoolismo

    20 de fevereiro é o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. O mês marca não apenas as celebrações do carnaval no Brasil, mas também a campanha de prevenção e conscientização sobre o uso de substâncias que fazem mal à saúde. Durante a festa, é comum que muitas pessoas consumam bebidas alcoólicas e outras drogas de maneira recreativa. Porém, fica o questionamento: e depois que o carnaval termina, como está a sua relação com essas substâncias no cotidiano? E como reconhecer quando o consumo passa a ser excessivo?

    Na Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Barbacena esse tema faz parte da política de saúde de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANT), bem como aparece nas notificações de óbitos referentes a esses agravos, e são trabalhados no Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NUVEPI) pela referência técnica Silvania Roman de Carvalho.

    “Como codifico declarações de óbito e analiso o banco de dados do Sistema de Informação de Mortalidade, vejo o álcool comprometendo a saúde de muitas pessoas a ponto de levá-las a complicações severas e ao óbito”, alerta Silvania. Ela destaca a normalização quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, o que acaba incentivando o uso excessivo por grande parte da população. “No nosso país não temos uma cultura de que o álcool não é benéfico para nosso organismo. Há, na verdade, um estímulo à ingestão de bebida alcóolica, basta observarmos qualquer comemoração que tenha adultos que veremos o álcool presente: futebol, natal, aniversários, batizados, festas regionais, apresentação de cantores e outros artistas”, alerta a referência técnica.

    Em relação à estatística, Silvania demonstra que na região da SRS Barbacena, conforme dados do Portal de Vigilância em Saúde MG / Tabulador de Informações de Saúde (Tabnet), no ano de 2023, 64 pessoas foram a óbito, tendo como causa básica o alcoolismo. Destes, 54 eram do sexo masculino e 10 do sexo feminino. O consumo de álcool foi mais presente na faixa etária de 40 a 69 anos de idade.

    Pontos de Atenção no Combate às Drogas e ao Alcoolismo

    Em seu trabalho, Silvania destaca diversos pontos importantes a serem observados no combate às drogas e ao alcoolismo. Alguns sinais podem indicar um padrão de uso prejudicial. Um dos primeiros alertas são mudanças perceptíveis no comportamento, como oscilações de humor, atitudes agressivas ou isolamento. Outro indicativo importante é a dificuldade de controlar o consumo, levando a episódios repetidos de intoxicação ou a situações perigosas, como dirigir sob efeito de substâncias.

    Também é essencial observar o impacto nas responsabilidades e nas relações pessoais. Quando alguém passa a descuidar do trabalho, dos estudos ou da família devido ao uso de álcool ou drogas, isso pode apontar para um problema mais sério. Sinais físicos, como alterações inesperadas de peso, problemas de saúde constantes ou aparência descuidada, também podem revelar um uso abusivo.

    A perda de interesse por atividades que antes eram valorizadas e a busca contínua pela substância mostram que o consumo pode estar se tornando uma prioridade acima de outras áreas da vida, sugerindo dependência emocional ou física. Além disso, negar ou minimizar o excesso quando amigos, familiares ou profissionais levantam preocupações é outro indício de que algo não vai bem.

    Em resumo, identificar o uso abusivo requer atenção aos sinais emocionais, físicos e sociais que demonstram um desequilíbrio significativo no bem-estar da pessoa. Reconhecer essas evidências cedo pode facilitar intervenções e oferecer o suporte necessário para a recuperação e para o resgate de uma vida mais saudável e estável.

    “Ainda há um longo percurso a ser caminhado para que um dia, como aconteceu com o tabagismo, termos um consenso nacional para não consumir álcool”, afirma Silvania. 

    Acesse https://www.saude.mg.gov.br/carnaval/ e veja a cartilha “Vem Mineirizar com Saúde”, um guia online, prático e fácil de acessar, com dicas para quem quer curtir o Carnaval com responsabilidade, sem abrir mão da diversão.

    Texto: Priscila Rezende/SRS

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