• Histórico: Grupo de estudantes e professores da UFSJ lança o primeiro satélite 100% mineiro ao espaço

    Desenvolvido no Campus Alto Paraopeba, equipamento chegou ao espaço mas não entrou em órbita devido a uma falha no foguete lançador; equipe planeja novas missões

    Um marco para a ciência de Minas Gerais e um orgulho para a região. Foi lançado na Índia, no último domingo, o UAI SAT, o primeiro satélite 100% desenvolvido em território mineiro. O projeto é fruto do trabalho de estudantes e professores do Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no Campus Alto Paraopeba.

    Em entrevista exclusiva à Folha de Barbacena, João Pedro Polito, gerente de projetos do LISE e ex-aluno de Engenharia de Telecomunicações da instituição, detalhou a emoção e os desafios da missão . João conta que seu desejo sempre foi o de “criar coisas”. O UAI SAT surgiu como uma oportunidade única ainda durante sua graduação.

    “O momento em que a ficha caiu mesmo foi na madrugada de domingo para segunda. A contagem regressiva parecia final de Copa do Mundo. Nós construímos, qualificamos e lançamos um satélite. Isso é histórico”, relatou João.


    O UAI SAT foi embarcado em um foguete na Índia. O objetivo era colocar o equipamento em órbita para realizar missões de coleta de dados. No entanto, uma falha técnica no veículo lançador impediu a conclusão total da operação.

    Segundo Polito, cerca de 10 minutos após a decolagem, quando o foguete já estava a aproximadamente 390 km de altitude, ocorreu um problema no terceiro estágio. “O foguete começou a girar e desligou os motores. Para entrar em órbita, ele precisava atingir cerca de 27.000 km/h, mas estava a 20.000 km/h. Com isso, ele fez um voo parabólico, chegou ao espaço, mas acabou caindo no oceano”, explicou o engenheiro.

    Apesar de não ter orbitado, o feito é considerado um sucesso técnico pela equipe da UFSJ, pois o satélite (a carga útil) estava pronto e qualificado. O problema foi externo, no veículo que o transportava.


    O pequeno satélite carregava grandes ambições. Entre as missões programadas para o UAI SAT, estavam:

    Apoio ao Agronegócio: Coleta de dados em regiões remotas de Minas Gerais onde não há sinal de celular ou internet, auxiliando produtores rurais.

    Monitoramento Climático: Uma carga útil científica, em parceria com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), para monitoramento de raios e tempestades.

    Internet das Coisas (IoT): Testes de comunicação para conectar dispositivos inteligentes.

    O futuro: Projeto Profetas
    O UAI SAT foi apenas o começo. Durante a entrevista, João Pedro Polito revelou os próximos passos do laboratório, que busca manter a identidade mineira em seus projetos.

    Vem aí a missão “Profetas”, uma homenagem às obras de Aleijadinho em Congonhas. A meta é ambiciosa: lançar, nos próximos três anos, uma constelação de 12 satélites, cada um batizado com o nome de um dos profetas do santuário.

    O desenvolvimento dessa tecnologia no Campo das Vertentes coloca a UFSJ e Minas Gerais no mapa global da corrida espacial acadêmica, provando que, mesmo diante de imprevistos, a ciência mineira segue voando alto.

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